Pressão saudável
Pegaria mal para a praxe de cordialidade se o Tribunal de Contas acatasse o pedido de suspeição do relator do exercício de 2014, Durval Amaral, não só porque esse impedimento deveria ser feito há mais tempo e de certa forma produziria um tumulto às vésperas da análise. Posto que fundada, essa restrição acabou, como se esperava, não sendo acatada, mas criou certamente uma atmosfera que obriga o relator a levar em conta o fato de que era um dos principais secretários da primeira gestão de Beto Richa e que teve por isso mesmo a missão de fazer o diagnóstico da situação deixada pelo antecessor, falha por lhe ter faltado a necessária firmeza e contundência no relato, de cuja fraqueza se valeu Roberto Requião para dar continuidade à sua ação política.
Assim se obrigará, pelo que foi suscitado, a demonstrar o máximo distanciamento, o que aliás já teria demonstrado com algumas advertências formais sobre anomalias quanto ao respeito ao Código de Contabilidade Pública e às normas reguladoras. Desprezado o caráter extemporâneo do parecer do Ministério Público de Contas, ele tinha lá formal e substancialmente as suas razões técnicas e apenas torna mais aguda a contingência que cerca a missão do relator.
Desmistificar o isolamento do Tribunal de Contas, como o do próprio Judiciário , é uma imposição da contemporaneidade quando mais nos aproximamos de níveis desejáveis de transparência como os até aqui proporcionados pelo mensalão e agora com mais intensidade pela Lava Jato.

Chove denúncia
A modernidade obrigou a Suíça a romper o ferrolho das contas secretas e surpreende agora o fato de que há centenas delas, derivadas de operações de gente ligada à Petrobras, já denunciadas. Símbolo da neutralidade, o país com o tempo e pela frequência das distorções se viu obrigado a apurar seu sistema de fiscalização.

Greve
Esperava-se que um tempo de bonança passasse a marcar a vida do Hospital de Clínicas depois que se fez o convênio com a estatal hospitalar, o que permitiu o aumento dos quadros funcionais e também os níveis de atendimento. Pois está no disparo mais uma greve agora por infringência do pagamento de vales. Como no caso dos coletivos da capital, esse apêndice salarial é uma espécie de vale de lágrimas, às vezes por ser pequeno, às vezes por não ser pago.

Interdição
A Justiça determinou a interdição da carceragem do 8º Distrito e também a da Delegacia de Furtos e Roubos de Automóveis da Vila Isabel, ambas por solicitação do Ministério Público, o que aprofunda a crise sistêmica da área que não encontrou solução na transferência do Depen para a pasta da Segurança.

Campanha
Essa duplicidade de laudos, com indicações diversas, no caso da fisiculturista chega a chocar, mas acaba se transformando numa peça em favor daquilo que os legistas pedem em movimento nacional já de alguns anos: autonomia para que critérios científicos apenas marquem a sua atuação, o que a categoria entende como impossível na sua subordinação a um setor permeável às distorções políticas na burocracia policial.

Cooperação
Recomendação do Ministério Público nas ações do Instituto Ambiental do Paraná para que contasse com o apoio da Mineropar em casos de licença ambiental para explorar minérios não exclui o cuidado que cabe para acompanhar eventos como esse trágico de Mariana (MG), em que órgãos ambientais se obrigam à cautela das prevenções de acidentes por causa das mineradoras.

Folclore
Dalton Trevisan ironizava que há uns quinze seguidores do positivismo, a cátedra de Augusto Conte, no mundo, catorze dos quais em Curitiba. Pois quando mais intenso era o proselitismo em torno da religião da humanidade em Curitiba, o poeta Emílio de Menezes atravessava a Praça Osório quando foi saudado por um dos seguidores convidando-o a ir ao templo
- Mestre, vais ao apostolado?
- Não, eu vou para o lado oposto!

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