LUIZ GERALDO MAZZA
E, agora, ecologistas?
Não poucas vezes o axioma do aquecimento global foi colocado em questão apesar de olhado como inquestionável em áreas do ambientalismo militante, no qual se denota, antes de tudo, um moralismo de traço confessional. Pois agora um levantamento científico da Nasa afirma (e com extremo cuidado sem negar a tese do aquecimento) que o gelo do Alasca está aumentando e não diminuindo e com isso importando numa queda gradativa das marés.
Ora, as imagens que compunham o cenário do aquecimento global era a das geleiras caindo e no ambiente, que o texto acabava transformando em desolador, até ursos com angústia sartreana apareciam à espera da próxima e inevitável extinção justamente com as focas e os elefantes marinhos. Uma das alternativas, especialmente do fim do socialismo real na queda do muro de Berlim, exploradas pela esquerda genérica (como os remédios assim configurados), foi a de fazer das questões ecológicas a contradição máxima para o capitalismo e sua compulsão consumista e que pesteia o espaço aéreo.
Aliás ,na inteligentzia tupiniquim tivemos a criação da Rede da Marina Silva, ardente guerreira da causa, que coloca a sustentabilidade, que pressupõe um amplo leque de equilíbrios, na ação do homem na natureza, como imposição de um consenso que previna anomalias, o que não deixa de ter também como nas doutrinas anteriores relativas à sociedade sem classes mais uma utopia tanto quanto as menos pretensiosas até mais ingênuas e nada alarmantes como aquelas da Renascença com Tomas Morus, Campanela (Cidade Ouro) e Francis Bacon (Atlântida) .
Como convém, pedagogicamente, em questões sinistras uma certa dosagem de terror, urge alertar que esse movimento das marés não vai favorecer Matinhos e Camboriú tão cedo porque terá um ritmo tão lento e gradual quanto o da abertura política de Ernesto Geisel em meio ao regime militar.
Pula-catracas
Chupa-cabras pode não existir, mas certamente não se pode negar a concretude do pula-catracas no sistema de transporte coletivo: 3 mil por dia, noventa mil por mês, na capital, segundo estudo do sindicato das empresas que certamente a Urbs contestará como fez com a pesquisa, feita por uma instituição universitária, sobre origem-destino na região metropolitana e que acabou provocando a quebra da integração na qual Fruet queria que Beto pagasse mais no racha do subsídio.
Essa aura acadêmica da Urbs não é suficiente para negar distorções do sistema no qual ela detém a maior cota de responsabilidade, já que foi a indutora, sob Lerner, da integração e para tanto se viu impelida a ir ao Judiciário para defendê-la ante os vetos do governador Requião. Se não se sabe como resolver uma questão como essa, é evidente que não é possível haver racionalidade mínima na apuração da tal e mística "tarifa técnica". Uma evasão de noventa mil passagens ao mês não é, de qualquer forma, algo desprezível.
Progressão
Por imposição do "ajuste fiscal" do tzar financeiro, as progressões da Polícia Civil (do nível de seis a onze) não estão sendo pagas desde maio: esses servidores fecham o ano com uma perda efetiva bem superior a R$ 2 mil. A curiosidade é que o da Polícia Militar está sendo pago. Como se vê por aí, uma orientação seletiva como também no caso das promoções não pagas. Papai Noel estatal é um rematado terrorista: para uns o presente é o futuro.
Suspeição
O Ministério Público de Contas ao pleitear a suspeição do conselheiro Durval Amaral por ter sido chefe da Casa Civil do governo e por essa condição não deter o distanciamento para relatar o exercício de 2014, tem lá suas razões, mas o corregedor contesta para evidenciar neutralidade que várias vezes fez advertências em procedimentos inadequados do Executivo. O importante é que precisamos de mais entreveros como esse para melhorar a transparência da Corte e também, como aconteceu, o conhecimento prévio pela sociedade do que pensa a retaguarda técnica do Tribunal. nesses relatórios. Faz bem à saúde da democracia e revela que, em termos de densidade jurídica, os oriundos de carreira são mais articulados que os de nomeação política. No passado não era assim: tanto um político como Raul Viana ou Daniel Borges dos Reis como um técnico do padrão Ezequiel Honorário Vialle dominavam o cenário com o mesmo padrão.
Folclore
A campanha do governo pela exigência da nota fiscal tem retorno ainda baixo, mas que pode crescer com as primeiras premiações. Não tem a exuberância das anteriores com figurinhas de Disney ou das balas Zequinha e também é menos pretensiosa, mas não corre riscos como a dos anos 50 com o "Seu talão vale um milhão" que quase gerou uma guerra étnica aos árabes na capital. Por sinal que seu ideador era o "turco" Aníbal Curi, o poder, como assinalava Jaime Canet Júnior.





