Ideologia na escola
Impedir que juízos de valores componham o ambiente escolar é pretender neutralidade numa igreja, impedir o seu confessionalismo autoexposto em nome da laicidade, da ordem leiga, aliás carente de melhor definição. Uma laicidade radical é inimaginável num país que se diz republicano, apesar de ser tudo que nada tem a ver com isso como se percebe na Lava Jato e no ambiente da aldeia com o pacto entre empresários e fiscais de tributos.
Como é possível que um grupo confessional, como é o da bancada evangélica, pretender o que não prega e não pratica, o que aliás seria uma contradição em termos, em favor da laicização? Por uma escola aberta, se exigiria justamente o contrário o máximo de difusão de ideias e um mínimo de veto e censura, o que não quer dizer que a docência se preste para proselitismo das concepções pessoais do mestre se não colocá-las em xeque com uma visão contrária.
Um dos meus professores da Federal, curso de Direito, Raul Rodrigues Gomes, fazia uso do debate como prática. Na condição de lente da Economia Política dividia a turma e declarava:"Esse lado aqui é a favor do livre câmbio e o outro das barreiras alfandegárias". E, aí, se estabelecia um choque de traço ideológico entre liberalismo e intervencionismo estatal, ainda hoje e como sempre um divisor de águas permanente, em que se chocam nacionalismo e cosmopolitismo.
A liberdade de cátedra implica, necessariamente, no respeito a esse equilíbrio para não tornar-se em abominável forma de lavagem cerebral. Não faz tempo, alunos inconformados da Faculdade de Direito´da Federal fizeram denúncia contra o proselitismo de mestres engajados que se referiam a supostas atuações que teriam adotado contra o regime militar, e isso sem falar na desídia em matar aulas ou transferi-las a monitores.
A existência dessa vigilância já é suficiente para que se respeite a clássica advertência de Horácio com o clássico "modus in rebus", a moderação nas coisas.

Dá-lhe, Beto
Embora tardiamente, o governador do Estado negou que vá atualizar a contribuição, como desejava o presidente do Atlético Paranaense, nas despesas da Arena da Baixada. O hiato entre esse informe e a negativa mostra a ausência de senso do seu estafe, mesmo advertido para efeitos políticos num momento em que o prefeito Gustavo Fruet se postava contra essa partilha e ainda por cima agia judicialmente contra o desrespeito a contratos firmados em indenizações e compensações.
Antes da viagem ao exterior, a notícia era dada como verdadeira nos meios de comunicação pelo fato elementar de não ter havido contestação. Medidas duras do ajuste fiscal levaram o governo a pôr a mão em fundos como o da ParanaPrevidência, no da Juventude e Infância e no da Família Paranaense com o que economizava o pão e aparentava ajudar o circo.

Escândalo
O Tribunal de Contas agiu com espírito de atualidade – tempo de Lava Jato e Publicano - ao detectar desvio de combustíveis em 83 prefeituras e câmaras municipais, das quais em 43 pelo menos os fatos foram devidamente comprovados. Caso, enfim, de apropriação do patrimônio público e que exige além das sanções administrativas o competente enquadramento criminal.

Calmaria
Agora, além das "vias calmas" Curitiba vai contar com as "ilhas" cal, mas em cruzamentos num esforço para acomodar interesses dos pedestres com a circulação. Quando não há recursos diante da crise a pequena escala das iniciativas é uma saída criativa e elogiável.

Insistência
O governo prometeu enviar mensagem criando o pedagiômetro, mas a confiança nisso é mínima dada a predominante desregularização da área. Daí o fato de a matéria estar de novo na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa. Mala preta já saturou.

Anti-Cunha
A corrente cultural em Curitiba vai ter um momento político: protesto aberto contra o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, por seu envolvimento no petrolão e a forma como chantageia o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Há desconfiança generalizada de que levará a melhor no processo na Comissão de Ética.

Folclore
Quando se sentia prejudicado pelas ações do Tribunal de Contas nos municípios em que detinha o poder político, o deputado Anibal Curi ameaçava retirar da gaveta e levar ao plenário um projeto que criava um órgão específico para as contas municipais, embora soubesse que aquele tempo havia disposição federal contra a iniciativa. A corte hoje não se submeteria a esse capricho, já que tem, aos poucos, demonstrado empenho em ampliar a sua autonomia como o demonstrou na devassa das edificações escolares no Paraná e de forma tênue no balanço governamental, ainda que o MP de Contas tenha desaprovado o exercício de 2014 .

mockup