LUIZ GERALDO MAZZA
Os heróis
O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, quase reproduz a metáfora de "Galileu, Galile" de Brecht ao referir-se ao heroísmo que estaria ungindo juízes federais na Lava Jato: se há essa carência é porque as instituições não funcionam. Brecht lamentava a necessidade de heróis como condição de superação da vida humana
Mas não é apenas o juiz Sérgio Moro transfigurado em herói porque no mensalão, além, do culto à figura de Joaquim Barbosa, presidente do STF, vimos o colegiado da instância superior também colhendo os méritos daquilo que fugia aos rituais da aventura nacional com o enquadramento de figuras de destaque ao contrário da tradição de impunidade que nos martiriza e envergonha. Claro que se torna indispensável que não apenas um juiz sirva de referencial ainda mais com a decisão do fatiamento de processos que eram entendidos pelo magistrado como conexos e que por maioria o plenário decidiu em contrário.
O Judiciário está inserido na sociedade do espetáculo em que vivemos, mas não está entre as suas vocações, a de ser popular e viver no clima de show e muito menos a de cortejar a massa e muito menos a uma classe determinada. Da mesma forma que a maior parte das decisões da primeira instância no caso da Lava Jato são ratificadas por qualquer um dos órgãos da instância superior, é normal - e isso confirma o vigor das instituições - que algumas delas sejam rejeitadas ou sofram hostilidade parcial. E é nesse sentido mais abrangente que a observação do ministro Barroso tem procedência como também um dos seus colegas, certa ocasião, lembrou que não há um só juiz federal no país com o que fez cautelosa restrições aos transbordamentos do momento aquele que preside, com sobriedade e firmeza doutrinária e intelectual, a Lava Jato.
Uma das perversões brasileiras, decorrente da nossa infância política, é, por exemplo, a de crer em salvadores. Aplicando-se ai a observação de Brecht em "Galileu, Galilei" poderia se concluir, sentenciosamente, que povo que precisa de salvadores não merece ser salvo.
Leilão
Entre bens que irão a leilão está relacionada uma lancha que estava nas mãos do delator Paulo Roberto Costa que já devolveu uma nota ao erário.
Pendurados
O Paraná vai bem no ranking negativo: 85%, como a reportagem demonstrou, estão endividados, razão pela qual se espera um mau desempenho em festas de Natal e fim de ano. Empresas de eventos, de formatura e festas, não sabem como driblar a conjuntura. E estão apelando a saídas criativas como a de consórcios com restaurantes para baixar custos. Mas tenham certeza de que a barulheira com fogos de artifício enlouquecerá de novo os nossos cães.
'Mitório público'
Alguns humanitários, preocupados com aflições fisiológicas de operadores da estação-tubo quase entronizam uma "casinha" detonando-lhe a expressão geométrica. A Urbs resolveu adotar banheiros químicos no entorno e isso fez lembrar a cruzada do Pedro Lauro, que chegou a deputado federal sem nunca ter sido vereador, sua maior ambição, em torno do assunto: uma mensagem nada sutil, uma tesoura para provável castração coletiva, era a logomarca da pregação pró-sanitários e teria sido apanhado pelo Dops com os policiais confundindo-a com a foice e o martelo do PC.
Nominalismo
Somos formalistas e algumas pessoas acham que prédios e ruas com nome de militares de 64 deveriam ser proibidos da mesma forma que entendem que a cidadania a Zé Dirceu deve ser anulada: ora as duas homenagens se deram em circunstâncias históricas que se justificavam como a condecoração de Chê Guevara pelo Estado brasileiro por Jânio Quadros em plena Guerra Fria. É inútil cassar a honraria, ela produziu os efeitos psicossociais do momento.
Baixa
Ano passado no feriadão tivemos 10 mortes nas estradas federais, nesse ano a metade pois a grana está curta, a chuva copiosa e os alertamentos preventivos acabam funcionando.
Analogia
Comparei em termos técnicos e de nepotismo o irmão mais novo de Requião, Eduardo, com o mais velho de Beto Richa, o Pepe, este mais discreto do que aquele, mas com poderes duplicados, ainda que as estradas até aqui nem tanto, posto que o pedágio venha a subir de novo.
Folclore
Pedro Lauro inovou em matéria de marketing: sua publicidade externa, substitutiva do outdoor, era feita em mensagens de meio-fio com giz para não poluir. Quando lhe perguntaram por que assim agia explicou: "O brasileiro anda tão cabisbaixo que encontrei o instrumento adequado".





