Lubrax do progresso
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no rigor de suas funções, fez um estudo-avaliação do impacto da Lava Jato no mercado de trabalho em que a coloca como fator principal das demissões. Pode até ser verdadeira tal conclusão, mas a aceitarmos teríamos que admitir que a megacorrupção é uma espécie de lubrificante do desenvolvimento, uma patologia com certas tonalidades úteis como a representada pela movimentação de recursos do tráfico, da prostituição, dos jogos proibidos, da pirataria e contrabando e também do fruto dos assaltos como o da explosão de caixas eletrônicos.
Ocorre que a forma como se deram tanto os casos de menor monta do mensalão como os do petrolão havia uma relação pactual entre agentes de Estado e os empreiteiros e prestadores de serviços. Como esse entendimento se dava de forma sistêmica tinha toda aparência de praxe e, portanto, de regularidade, e supostamente de ''normalidade''.
Não se trata de tese cínica se fixar-se essa diagnose apenas em torno dos efeitos da prensa judicial em cima desses agentes, mas certamente mudará de perspectiva se gerar uma espécie de silogismo, uma derivação da lógica, que passe ao largo de questionamentos morais, e aponte as sequelas perversas do baque empresarial e nas suas relações nacionais e mundias com bancos e organizações financeiras. O risco é de que aflore o axioma de que o crime tem seus aspectos positivos e não apenas para quem os pratica.

Recuo
Aparentemente um recuo do governo em relação ao plano de remanejamento escolar na decisão de não incluir os prédios alugados. Assim, tudo fica tal como estava e o risco de fechamento de umas 50 unidades persiste. Como na lição do cabrito que recua para dar marrada mais forte, tudo persiste e se mantém ativa a bronca dos manifestantes. Em São Paulo, a mesma questão se dá em meio a asserções doutrinárias enquanto por aqui persiste o aspecto emocional como num libreto de opereta.
Como tudo que vem desse governo não se tem segurança, já que a área oficial de comunicação insiste que Beto Richa teria sustado tudo, o que está longe de uma clareza inquestionável, o mesmo estilo, enfim, dos lances anteriores como os que redundaram no massacre e no assalto à ParanaPrevidência, ambos elevados à categoria de virtude.

Caminhos opostos
Não é somente no caso do transporte coletivo, afinal atingido na integração metropolitana e nas consequências que gerou, que a prefeitura da capital conflita com o governo estadual e isso também não se dá apenas em torno do que há a pagar e a receber do Atlético Paranaense pela construção da Arena, pois persiste até na fixação do ponto facultativo do feriadão. Enquanto Gustavo Fruet o adotou ontem, o governo estadual o fixou para terça-feira. Assim, ontem muitos serviços deixaram de atender o público municipalmente e terça isso se dará com os estaduais. Enquanto eles brincam de mostrar diferenças, o público é que acaba prejudicado. Que estão em fronts eleitorais diversos se sabe, mas nada impede um pequeno esforço de civilidade republicana. A distância entre a prefeitura e o Palácio Iguaçu é mínima e talvez menor do que aquele passo do astronauta Armstrong na lua.

Pesquisa
Semana que vem sai a sondagem da ParanaPesquisa sobre o desempenho dos prefeitos das capitais. incluídos na relação os de Belém do Pará e de BH, Minas Gerais. Em breve, o universo municipal de Rio Branco do Sul, hoje bem abalado por tensões policiais, quanto ao desempenho de prefeito e perspectivas eleitorais de postulantes.

Folclore
Medir efeitos da Lava Jato na perda de empregos, como fez o Ipea, é uma forma de distanciamento brechtianos dos valores deontológicos envolvidos. Como poderia também avaliar os de natureza odontológica pela estatística dos que perderam os dentes ou os trataram mal na sequência do petrolão em função da perda de rendimentos.

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