O roubinho e o Robinho
Quem melhor caracterizou a "pedalada" foi o Robinho, aquele que precedeu o Neymar no Santos. Hoje, porém, a expressão se volta para as acrobacias fiscais da presidente Dilma Rousseff e nem a fugaz apologia de Gustavo Fruet às artes ciclísticas, desde a sua posse, a suplantou.
Pois, agora, o Ministério Público de Contas acha que o governador Beto Richa, o que se ajusta ao seu perfil esportivo e juvenil, ora com automóveis, kart ou tênis, teria pedalado nas contas de 2014. Não é a primeira vez e, certamente, não será a última que o setor de retaguarda técnica do Tribunal de Contas vai além de restrições e aponta essas anomalias no comportamento contábil.
Ocorre que as práticas da União estariam justificando até vários pedidos de impeachment contra a presidente da República e por que, afinal de contas, não poderia o procurador aqui na província, ao menos, pleitear singelamente a desaprovação das contas, sentença bem menor do que a admitida pelo Tribunal de Contas da União acoplada a um crime de responsabilidade?
Numa sequência de pedaladas do Robinho, em jogo contra o Corinthians, o Santos obteve o gol de pênalti, pois ao lateral não houve alternativa se não a de conter a sua marcha, área adentro, e derrubá-lo. Nas pedaladas fiscais há mais malícia do que arte e o mais das vezes não rende sequer um pênalti, já que o governo pouco se lixa com advertências técnicas ou doutrinárias do TC como os conselheiros estão cansados de saber. Além de burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal quanto aos dispêndios com pessoal, o que é uma tradição incorrigível, não investe o mínimo a que estaria constitucionalmente obrigado em saúde.
Nem sempre se pode dizer que uma pedalada é sequer um roubinho, mas inspirada no Robinho, tem todo o jeito de malandragem em sua expressão artística.

A defesa
O secretário Mauro Ricardo Costa, da Fazenda, incumbido da defesa do governo, embora o período referido, exercício de 2014, não seja de sua alçada, resumiu tudo numa expressão: um erro de interpretação. Todos se lembram da alentada crítica que fez à gestão financeira - até para poder emplacar a sua ortodoxia - que contemplava inclusive o corte dos quinquênios que foi abandonada pela circunstância elementar de que seria derrubada na Justiça.

O caos
Duas chuvas mais fortes, em dias seguidos, foram suficientes para mostrar o quanto a capital é vulnerável no seu sistema de drenagem. Apenas obras menores em cursos d'água marcam, a ação pública e operações de dragagem de canais e desassoreamento. A última grande intervenção é da gestão Lerner e com a construção do canal de desafogo do Rio Iguaçu. Não fosse a rotina do Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), durante os anos 50 e 60 bem como atuações como as dos prefeitos Omar Sabag e Saul Raiz, este especialmente na canalização do Belém, certamente teríamos ainda as cheias tanto no núcleo central como no Centro Cívico. Uma das obras de maior folego, sob Ivo Arzua, foi a construção numa área polarizada pela praça Osório de um canal de desafogo do Rio Ivo.
Urge maior atenção ao tema que não parece figurar entre as prioridades urbanas num momento em que técnicos e políticos se debruçam na análise de um novo Plano Diretor.

Cartel
O fato de haver empresas quebradas ou pelo menos em situação delicada no conjunto que explora o sistema de transporte coletivo da capital e região metropolitana não retira do oligopólio a condição de cartel, indagação até hoje não respondida pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A relação pactual do governo com o sistema tem mais de meio século e fica visível que é cínico o conceito de que há competição. Farsesca também qualquer licitação, como a que se fez, já que as mais fortes por deterem garagens, frotas e centrais de compras detêm uma espécie de poder vitalício, inquestionável e isso garantido por uma barragem advocatícia de primeira ordem. Atritos como esse de ameças de greve por falta de pagamento de vales deixam exposta a falta absoluta de segurança contratual e de fragilidade do poder concedente ante as permissionárias.

Dissimulações
Duas subsidiárias da Copel não têm qualquer controle interno, segundo o relato da Procuradoria de Contas. Isso não quer dizer que no quadro nosso estaria como a Petrobras no cenário nacional, mas se mete no que não deve como no caso dos créditos da Olvepar e ainda em absurdos como aquela disputa na concorrência de pedágio e ainda no fato de no governo Lerner seu presidente acumular a secretaria da Fazenda. Vulnerável, portanto, dada a prensa manipuladora do sócio maior. Com um Parigot de Souza em seu comando seria inimaginável a deformação.

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