LUIZ GERALDO MAZZA
Indigência política
O veto da base aliada à proposta do pedagiômetro se insere entre as evidências de que o governo tem interesse em que tudo fique desregulado e obscuro. Essa maioria parlamentar deu exemplo do seu grau de submissão nas ocorrências dramáticas de abril quando se viu que para ela o camburão da polícia é uma espécie de confessionário para declarar fidelidade ao poder. E isso feito com a máxima unção em forma de catarse religiosa.
A promessa de que lá na frente vai criar esse tipo de controle, ao mesmo tempo em que esvazia o campo de atuação da Agência Reguladora, visa impedir a existência de qualquer forma, mesmo as mais comuns como as ouvidorias de mediação fiscal para detectar anomalias. Como se já não bastassem os casos dos fiscais acusados de achaque e os relativos às anomalias das construções escolares, há todos os motivos para a máxima desconfiança com relação ao pedágio, visto como tábua de salvação dos gestores do momento à falta de qualquer outra perspectiva de investimento.
Nunca se viu tanta pobreza no cenário político da terra depois dos bons momentos que tivemos nas atuações de paranaenses no mensalão do procurador Antonio Luis de Sousa, no relator da CPI, o deputado Omar Serraglio e, sobretudo, nos entreveros de plenário, do deputado Gustavo Fruet.
Claro que há o destaque da terra no campo da corrupção e no das delações e é evidente no papel excepcional desempenhado pelo juiz Sérgio Moro na condução da Lava Jato, hoje referência até de caráter internacional. Todavia, o varejo do nosso dia a dia é aquele do confessionalismo que se pretende impor às salas de aula, sobretudo nas questões de gênero em nome de um fundamentalismo que chega a ser caricatural por seu obscurantismo.
É verdade que o placar da decisão parlamentar evidencia que o dissenso cresce em relação aos números do consenso e isso porque um tema como o do pedágio tem uma conotação, desde sua origem mais remota, de golpe, tal a distância entre os métodos de elaboração, desde Lerner, à sua planilha e os fixados pelo governo federal em nossas ligações com Santa Catarina
Como o próprio governo tem a consciência dessa deformação original no custo de tarifas aponta a sua baixa como condição sine qua non da prorrogação dos contratos com as consorciadas. Dá para imaginar o quanto cresceram o tráfego e, portanto, os lucros das operadoras de Lerner para cá. Mas esse é um assunto interdito, daí o veto do pedagiômetro, que a agência reguladora instituirá.
Clínicas
Mais 220 servidores, com o que se atinge o número de 418, já engajados na rotina do Hospital de Clínicas, o maior do Paraná e com funções suprarregionais, garantem o deslanche operacional.
Alerta
Preocupada com as ações de profilaxia a desenvolver no verão, Paranaguá se surpreendeu com o grande número de casos autóctones de dengue para os quais deve voltar as atenções.
Mobilização
Compreende-se a reação corporativa da Polícia Civil em defesa do delegado Recalcatti, mas ele como a própria presidente, sob risco de impeachment, está sujeito a essa contingência. E bronquear contra o Gaeco é esquecer que a prisão foi decidida por um juiz. Outra coisa: manifesto ao Ministério Público e ao Judiciário, como fez a Adepol, não bloqueia coisa alguma. Provada sua inocência, aí, sim, é hora de punir os acusadores e condenar possíveis abusos midiáticos.
Algo de pior qualidade estava havendo com os auditores fiscais que por seu conselho abriram procedimentos contra os colegas que desenvolviam ações correcionais. Felizmente, o secretário da Fazenda corrigiu o absurdo. Excessos de corporativismo.
Suspeita
Essas "grevilhas" de empresas de ônibus da capital e Grande Curitiba, por alegada falta de pagamento de vale de motoristas e cobradores, tem uma só origem: a pendência em torno da tal tarifa técnica que percorre instâncias administrativas e judiciais sem solução. Agora temos até a hipótese de greve parcial no sábado se a grana não sair entre hoje e amanhã. E sábado é dia de exame do Enem, coincidência que aumenta o poder de pressão da parede.
Folclore
Ministério Público quer a adoção do ponto biométrico na Câmara Municipal de Maringá porque descobriu que lá, como se dava no Hospital de Clínicas na capital, em que gente importante, inclusive dos quadros médico e docente, dissimulava a sua ausência no serviço, o que foi apurado em diligentes ações da Polícia Federal.





