Quem é menos envolvido
Nos casos de corrupção, tanto do mensalão como do petrolão, e os do plano menor da província com a Publicano e a Voldemort, quem é mais envolvido: Lula (e sua sucessora Dilma) ou Beto Richa? Com o benefício da dúvida, poderia se mudar a inquirição para quem é menos envolvido. A omissão imperdoável alcança todos os personagens, pois afinal o maior responsável por tudo o que se dá no governo é justamente o chefe, não lhe cabendo a desculpa de que o meio é muito complexo para definir responsabilidades pessoais e intransferíveis.
Contra Lula e/ou Dilma há referências de que foram beneficiados por recursos das propinas nas campanhas eleitorais e isso se repete, conforme a delação premiada daquele fiscal que abriu mão de um patrimônio de R$ 20 milhões para baixar as penas, com Beto Richa, cuja campanha teria recebido ao menos R$ 4 milhões de dinheiro tungado de contribuintes achacados.
Ambos têm a mesma defesa: as respectivas prestações de contas foram aprovadas formalmente pela Justiça Eleitoral, mas se a operação estiver inquinada de fraude que não pudesse ser detectada obviamente o ato jurídico está severamente prejudicado.
O importante é que os processos judiciais tramitam, é claro que com maior repercussão o da Lava Jato por sua amplitude e abrangência, mas servindo de baliza para procedimentos de menor escala como os do Paraná com sua suposta quadrilha de fiscais, maior aparentemente do que a de São Paulo em que onze auditores da área do ICMS teriam em dez anos feito operações imobiliárias da ordem de R$ 62 milhões (aqui só um meteu a mão em mais de R$ 20 milhões em duas fazendas que resolveu devolver ao erário para amainar a sentença).
Anteontem, foi decretada a indisponibilidade dos bens de 44 denunciados na Publicano, dentre eles o parente distante do governador Luiz Abi Antoun, apontado como líder político do esquema. Depois de tudo isso, por ter tanta gente de Londrina envolvida em casos de corrupção e pela euforia da conquista no futebol pelo Tubarão, seria necessária uma ablução restauradora para remover tantas nódoas e festejar como feito comum o ingresso na Série B do campeonato nacional.

Pedágio e rodízio
Entre as emendas aprovadas no Plano Diretor aparecem duas radicais e proibitivas: Curitiba se recusa ao pedágio urbano e até mesmo ao rodízio de placas, o que é de uma varzeanice exemplar num momento em que vemos São Paulo com seu espaço aéreo saturado por helicópteros para deslocamento de empresários e que a qualquer momento pode imitar os ingleses e adotar, como desestímulo aos engarrafamentos, o pedágio urbano nas ruas mais centrais .

Juventude prensada
O Conselho Municipal da Juventude alega ter sofrido ação discriminada numa operação padrão da Polícia Militar quando se dirigia para a sua 3ª Conferência em Faxinal do Céu. Alega que houve truculência desnecessária, com setenta pessoas abordadas seletivamente no ônibus da delegação. Urge dar uma olhada nos manuais de abordagem dos nossos policiais: não precisa ser elegante como um alfenim, mas não pega bem qualquer sinal de agressividade.

Depoimentos
Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa serão ouvidos hoje na Lava Jato no processo Odebrecht. Costa é contestado por Fernando Baiano que o acusa de levar muito mais do que devolveu e esse atrito é usado pelos advogados de empreiteiras para nova tentativa de melar a pendência.

Recuo
O protesto contra a prisão do delegado Rubens Recalcatti não será mais diante do Gaeco, o que é um recuo adequado e, certamente, mais republicano. O Gaeco tem funções de controle externo também da polícia e agredi-lo ostensivamente pegava mal.

Contra o Eca
O governo meteu a mão nos R$ 360 milhões do Fundo para a Infância e Adolescência em sua política fiscal e isso foi considerado pela área do ECA no Ministério Público temerário por seus efeitos. Não convence a explicação oficial de que a drenagem de recursos virá do recém-criado Fundo de Combate à Pobreza, também altamente contestado.

Folclore
Por nove votos a oito, o Órgão Especial do TJ vetou o retorno de Maurício Requião ao Tribunal de Contas como conselheiro. Segurança jurídica em risco, convicção difusa.

mockup