Melando a Lava Jato
Desde o início do processo há empenho em "melar" a Lava Jato e, quando se esperava que isso estivesse superado, há um conflito nas versões de delatores premiados, um dizendo que outro levou muito mais do que devolveu, que ameaça restabelecer a hipótese desejada pelo governo e a base aliada bem como os denunciados para restabelecer-lhes um mínimo de conforto. Um dos que festejou o acontecimento foi o presidente da OAB-PR, o criminalista Juliano Breda, defensor de empreiteiras, que viu nisso, e com alguma razão técnica, motivos para tornar anuláveis de pleno direito não só as delações como as denúncias nelas centradas por parte da Procuradoria da República e nas sentenças proferidas pelo juiz Sérgio Moro.

De fato, o delator e lobista do PMDB, Fernando Baiano, acusa o ex-diretor da Petrobras, também delator premiado, Paulo Roberto Costa, de ter devolvido apenas merreca da fortuna que levou por suas intermediações. A defesa dos acusados estava ansiosamente aguardando oportunidade como essa para sair-se melhor na empreitada de melar tudo já tentada anteriormente, mas bloqueada na própria instância superior quando insistiram na tese de que Youssef teria infringido uma regra básica ao prometer que não mais operaria como doleiro e o fez tanto na AMA-Comurb de Londrina e também no andamento tanto do mensalão como do petrolão.

E a matéria de prova documental, já colhida inclusive em operações bancárias no exterior, fica prejudicada? Claro que não: a contundência desse material é de tal ordem que teríamos um caso clássico de prevaricação coletiva, inimaginável.

Negociações como as que brecaram com alguns depoentes para a colaboração, por ausência de material consistente, mostram os cuidados que delegados e procuradores têm quanto à eficácia das provas que acompanham os relatos. A hipótese de um conflito, como o agora estabelecido, sempre existiu e que podem até decorrer de questões de ego, tal qual parece ter-se dado entre Roberto Jefferson e o premier de Lula, Zé Dirceu, na guerrilha verbal do mensalão. Aquele ajudou e esse pode atrapalhar pelo menos um pouco. De qualquer forma, traz ânimo para aqueles que até agora se mostraram desolados.
Mas a vida continua e ontem o juiz Sérgio Moro acatou nova denúncia contra a Odebrecht.

Como na guerra
Numa guerra a primeira vítima é a verdade e isso se reproduz com as de caráter alegórico e de metáfora, como as greves: nessa da Guarda Municipal, os paredistas dizem que pararam mais de 70% e a prefeitura retruca afirmando que grevistas não passam de 30%. A matemágica de lado a lado é algo como um pôquer em que todos blefam. E, pior, ninguém dá bola para decisão judicial nesse tipo de entrevero, já que a parede foi considerada formalmente abusiva.

Derosso
Depois de mandar na Câmara Municipal por 15 anos em domínio hegemônico, agora o João Claudio Derosso é alvo principal do Tribunal de Contas que tem alentada estatística: a quantia a devolver por abusos com propaganda ultrapassaria hoje R$ 2,3 milhões.

Leniência
Acordos de leniência, segundo o ministro Valdir Simão da Controladoria Geral da União, deveriam ser processados por sua pasta e não pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Fez tal declaração num congresso em Curitiba sobre auditorias internas. O Paraná se tem não dá bola pra isso, tantas as bandeiras do seu governador com amigos íntimos envolvidos em chunchos.
Se ela fosse "ligada", pelo menos assessoraria o governo por um discreto alertamento.
O ministro prometeu ir fundo nos afanos revelados na Lava Jato. Por sinal, o procurador Dalagnol, um símbolo de firmeza, estava presente .

De novo
Ministério Público novamente em cima da prefeita de Campo Mourão, Regina Dubay. Agora a bronca é sobre uma desapropriação de terrenos de adversário de sua gestão e, por isso, indiciada por improbidade administrativa.

Mobilização
Continua marcada para amanhã manifestação de delegados de polícia diante do Gaeco, apesar da soltura, ontem, do delegado Rubens Recalcati, beneficiado em liminar de habeas corpus. Pelo jeito, só o rito institucional não basta para os delegados, daí apelarem para a atuação política. Controle externo ninguém quer, haja vista a resistência de magistrados ao CNJ e o próprio Ministério Público tem restrições ao seu conselho. E para a Polícia, tanto a Civil quanto a Militar, o Gaeco é pelo menos uma hipótese desse instrumento indispensável à transparência. Na greve da Guarda Municipal se percebe isso: ela quer decidir nada mais nada menos do que a escala de trabalho.

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