Heranças inesperadas
Governos deixam heranças: o de Requião, o mais recente, através das ações do seu irmão Eduardo, na montagem do escritório da representação do Paraná em Brasília, inclusive com estúdios de TV, alterou inteiramente o apartamento de ex-ministro do STF e o proprietário cobra agora do governo estadual os aluguéis atrasados e também as reformas havidas no prédio. Um pepino azedíssimo e também o constrangimento administrativo de responsabilizar o antecessor. Não há moringa que suporte tudo isso e missões no exterior, de fato, oferecem uma saída para descomprimir.

Copel-Olvepar
Um dos escândalos do governo Lerner, ao lado do episódio Banestado-CC5, foi o da fajutice da recuperação de créditos partilhados irmãmente com deputados – da Copel-Olvepar. Só está levando, em sua tramitação, apenas 12 anos, inclusive com o desaparecimento nos autos de peça-chave do depoimento ratificado do doleiro Youssef, peça principal do chuncho bancário que teve fortíssima repercussão nacional e assinalou o canto do cisne do banco estadual.
Figuras de destaque do governo de então estão envolvidas como o hoje corregedor do Tribunal de Contas, Durval Amaral, o ex-conselheiro e ex-presidente da corte Heinz Hervig, o secretário da Fazenda e que acumulava a presidência da Copel Ingo Hubert e mais dois secretários. Ontem os dois deveriam ser ouvidos na 2ª Vara Criminal. Depoentes de anteontem, Youssef e o advogado Antonio Carlos Fioravante Pierucci, delatores também da Lava Jato, confirmaram tudo, mas revelaram grande dificuldade em lembrar detalhes da operação. Pierucci recorda que pelo menos 20 deputados entravam no racha.

Contenda
Vai dar um Atletiba entre Beto Richa e Gustavo Fruet na partilha de gastos com a nova Baixada. O governador estaria próximo da tese de Mario Celso Petraglia que defende a atualização dos custos para mais de R$ 300 milhões e a divisão pelos três. Fruet não concorda e entrou na Justiça contra o Atlético Paranaense cobrando R$ 15 milhões decorrentes de questões contratuais quanto ao padrão Fifa do estádio. A primeira queda de braços entre Fruet e Beto se deu no episódio dos subsídios do transporte metropolitano com a ruptura da integração.
Essa, aliás, vai mal, pois ontem a Justiça trabalhista apreendeu, para garantir crédito, parte da frota que atende Araucária, criando transtornos aos passageiros. Quem precisa viajar é Fruet.

Cronograma assusta
Não é só um pleito do Ministério Público estadual sobre a Urbs que leva 15 anos no Tribunal de Justiça, pois agora temos também o da Copel-Olvepar de 12 anos. É o ritmo da administração e da Justiça. No Tribunal de Contas há um procedimento contra a Urbs, datado de 2004, portanto 11 anos, para que explicite o rumo de R$ 38 milhões. Não é, portanto, anomalia, mas a regra, a praxe que aqui tem a roupagem do direito adquirido.

Manifesto
Está programada manifestação de delegados de polícia diante do Gaeco no dia 21 contra a prisão do delegado Rubens Recalcatti e ontem houve outra de populares no mesmo local de também de solidariedade ao policial. Se cada andamento processual na Justiça tiver esse cenário, não haverá aí o mínimo avanço civilizatório. Não custa lembrar que o órgão, que precedeu o Gaeco, a Procuradoria de Investigações Criminais (PIC), com prerrogativas semelhantes, foi atacada a bombas atribuídas a policiais.
Da mesma forma que a polícia agiu açodadamente no caso da morte da fisiculturista Renata Muggiati, tentando inculpar seu namorado pelo suposto crime, o que foi desmascarado pelo laudo do IML, o Gaeco também pode cometer erros, mas essas questões devem ser esclarecidas de forma civilizada na instância apropriada, a institucional. Ações diante do Gaeco não parecem adequadas, o que também assim seria se procedidas diante de uma vara criminal.

Lava Jato
O ministro Teori Zavaski do STF determinou ontem a liberação de Alexandrino de Alencar, da Odebrecht, todavia com a obrigação de não viajar e comparecer às audiências do processo. Há setores inconformados com a decisão anterior que fulminava o ritual do impeachment montado por Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal. Indícios quanto a Alexandrino sugeriam ligações com o ex-presidente Lula.

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