Darwinismo social
Se há uma área de um Brasil idealizado, é a do futebol. E, por incrível que pareça, ela se mostra hoje mais do que nunca permeável aos piores traços da violência que marca o nosso cotidiano como se vê nas ações da polícia especializada que apura os confrontos entre facções internas da torcida atleticana, a dos Fanáticos oposta à dos Ultras. O grau de hostilidade é de tal nível que aproxima esses jovens de um estágio próximo do embotamento, tal o ódio acumulado e a ausência de qualquer valor ligado ao convívio social e ao respeito às leis e à Justiça.
É verdade que o futebol está contaminado pela corrupção, como se percebe na prisão do ex-presidente da CBF no exterior e na hesitação do seu substituto em viajar com receio de também ser enquadrado. Essa contingência responde em grande parte pelo distanciamento perceptível da torcida em relação à seleção brasileira apodada por Nelson Rodrigues como "a pátria de chuteiras" em função dos seus feitos do passado não muito distante.
Na questão da corrupção dependemos mais de fatores externos como os de depuração da Fifa com a suspensão provisória de dirigentes, e também das ações inflexíveis da justiça americana, mas aqui internamente há amarras institucionais, mal rompidas pelas ações corajosas do senador Romário e que encontra suporte na bancada da bola que envolve setores do governo e do parlamento.
Já o problema da violência das torcidas organizadas reclama uma ação forte e sobretudo da polícia judiciária, o que vem sendo feito pela delegacia especializada com a prisão de envolvidos nos confrontos nos estádios e nas ruas. Casos como o do confronto em Joinville das gangues de vascaínos e atleticanos, com repercussão nacional, e seguido de condenações de traço exemplar já significaram um avanço considerável tal qual as medidas ora adotadas como rotina rompem o quadro de inércia que alimentava tais manifestações predatórias.
O depoimento dos jovens beligerantes assusta pela inflexibilidade do ódio e o sinal marcante de desajuste. Talvez, isso demova o Ministério Público daquela postura de respeito à livre organização já que as máfias podem valer-se dessa concessão. Aliás, há uma facção do Cruzeiro de Minas Gerais chamada de "Máfia Azul", o que naturalmente tem mero sentido alegórico.

O pedágio em debate
Na próxima semana o pedágio que já é tema de uma divergência severa entre a Faep e a Fiep, aquela abertamente adepta da renovação das concessões e essa com restrições graves a um sistema repudiado pela maioria dos comerciantes e industriais, voltará a ser enfocado no Legislativo com o empenho da bancada situacionista em derrubar o dispositivo arguido pelo deputado Tercílio Turini que estabelece o pedagiômetro, aliás resgatando um entendimento de resolução da agência reguladora tomado em comum acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), há mais de dois anos passados.
A preocupação em facilitar e flexibilizar as ações das consorciadas por parte do governo é de tal forma notória que perdeu o distanciamento que deveria adotar. E o quadro recessivo parece ter convencido nossas autoridades de que esse é o melhor caminho para atacar outras frentes rodoviárias à falta de outras formas de investimento direto no setor. Ainda ontem tivemos uma ideia da dimensão do problema com o bloqueio da BR-476 em Adrianópolis, de alguns dias, agravado pelo tombamento de um caminhão. Em outro lado na PR-419 na altura de Pien havia outra situação de crise.
Até a referência a esses fatos isolados dão uma ideia de como é complicado estabelecer o que chamam de prioridades nas decisões que vem sendo adotadas e programadas e sempre, como é de costume, sem ouvir a sociedade organizada, normalmente convocada às sessões públicas, com indicações prévias supostamente centradas em razões inquestionavelmente técnicas.

Nudez em questão
A decisão da revista PlayBoy em acabar com o seu traço mais forte, o da nudez das modelos, decorre da competição com outras mídias, especialmente com a blogosfera da internet, isso sem falar nas mudanças comportamentais que acabaram tirando o mistério e o sentido de novidade nesse tipo de exposição. Perdeu o sentido de novidade pela vulgarização nas redes sociais.

Modelo federativo
Deputados de várias unidades discutem em Brasília o novo pacto federativo, propugnando por um sistema mais equitativo de distribuição de encargos e também de repasse. Valem-se, é claro, do vazio vivido nesse instante por um governo federal acuado e que sabidamente não abre mão das vantagens que aufere e visível na resistência a reformas efetivas na área fiscal e previdenciária. Não há prioridade maior do que tirar o país da areia movediça e do atoleiro da corrupção.

Tarifa técnica
Não se sabe se haverá avanço na conversação entre a Urbs e o cartel do transporte coletivo urbano em torno da tarifa técnica. Na retaguarda dos empresários, uma das equipes de advogados mais aptas no campo do Direito Público, o que não acontece com a Procuradoria do Município, que já esteve nas mãos justamente em cima da licitação do atual presidente do Tribunal de Contas, Ivan Bonilha, que gerou o caos que estão aí insolúvel. Por sinal, que o Ministério Público está atuando para se obter um consenso, mas parece não ter sentido o peso das restrições que a auditagem do TC apresentou, elencando as inúmeras anomalias da concessão.

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