LUIZ GERALDO MAZZA
Quase profecia
Uma das diversões dos críticos do governo foi a divulgação de fotografias em detalhes do hotel Napoleon e de suas luxuosas instalações em que se hospedou a turma da comitiva oficial em Paris. Ajustou-se simetricamente ao ato falho de Ademar Traiano quando, ao assumir transitoriamente o governo, desejou feliz ''curtida'' no exterior ao casal.
A divulgação do luxo hoteleiro pelas redes sociais rendeu muita gozação e também um pouco de inveja em cima do casal em sua missão estratégica, pelo menos em consonância com a versão oficial, mas o impacto maior ficou por conta da notícia na "Folha de S.Paulo" e é claro com as justificativas chapa-brancas.
O que era um ato falho se transformou em quase profecia. A informação veio ao natural o que não aconteceria sequer se a oposição fizesse um pedido claro de informações no Legislativo porque o trator o impediria como sempre.
O poder público precisa convencer-se de que estamos num outro momento e que há olhos em paredes. Afinal, as relações de Beto Richa com pessoas envolvidas em operações investigadas pelo Gaeco afloraram de forma natural como os ensaios automobilísticos com um dos chefes da gangue fiscal, captados em videoclips, os selfies com Caramori, aquele que gravou a imagem do ex-amigo na pele, e as intimidades tenísticas com um dos envolvidos no desvio de recursos nas construções escolares. Nunca se deu tanta bandeira na história política do Paraná, reveladora de um desleixo clássico no campo das relações pessoais.
Minilava Jato
Se forem confirmadas as investigações em início do Gaeco na Publicano quanto à lavagem com o dinheiro da corrupção como operações imobiliárias em Balneário Camboriú, aquisição de duas lotéricas na capital e de jet-ski, carros de luxo e barcos veremos que a operação tende a ser uma espécie de Minilava Jato.
Turini em alta
O deputado Tercílio Turini, de Londrina, ao levantar o caso do pedagiômetro nada mais fez do que reavivar uma resolução de dois anos passados e jamais cumprida da Agência Reguladora dos Serviços Públicos de Infraestrutura do Paraná ( Agepar), feita em consonância com o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER) . Como se observa a leniência do governo em fiscalizar o pedágio é sistêmica, livrando-o de qualquer tipo de regulação.
Novo choque
Com a prisão do delegado Rubens Recalcati pelo Gaeco ontem, como suspeito de retaliação contra os autores do homicídio do ex-prefeito João da Brascal de Rio Branco do Sul, acirrou-se, outra vez, o choque entre delegados de carreira e o braço do Ministério Público que havia encontrado seu ápice quando o procurador de Justiça, Cid Vasques, ocupou a Secretaria de Segurança e tentou forçar um revezamento dos quadros de policiais cedidos. O Ministério Público por suas instâncias administrativas deu ampla solidariedade ao Gaeco que agora se vê, outra vez, em tensão com os delegados que deram solidariedade ao colega, um dos seus quadros de maior expressão como operacional.
A Adepol acusa o Gaeco de midiático num momento que também não é muito bom para a área de segurança.
Folclore
Cada vez que Beto Richa viaja perto de Grande Prêmio da Fórmula 1 costuma-se sugerir que ele foi assistir à disputa. Novamente, houve a especulação de que estaria na Rússia o que não tinha a menor procedência: ele estava com a comitiva em pit-stop em Paris o que serviu, como se viu na Assembleia Legislativa ontem, em prato cheio para os seus opositores.
Alvaro Dias perdeu uma eleição porque o Jorge Miguel Samek, do PT, mostrou na televisão a planta e as dimensões do apartamento do candidato, bem menor do que a atual o que nada tem a ver, todavia que no ambiente safado da política funciona. Dá para imaginar que algum político comprasse um andar daquele de R$ 17 milhões a unidade, quase na frente da Universidade Positivo, o estrago que haveria.





