Drácula em ação
Todo governo que fala em transparência é porque vai agir exatamente ao contrário. Se há algo no Paraná que demonstra a predominância do opaco sobre a luz é o caso específico do pedágio: não se tem a mínima informação clara sobre o retorno do sistema e isso vem desde a sua implantação. Lerner, para obter a reeleição, fez um corte linear de 50% nas tarifas, sabendo que a Justiça reporia em seguida os termos do contrato. Em política a versão é mais relevante que o fato e a aparência tão ou mais importante que a realidade. Requião viria, em seguida, com outra coisa que sabia impossível: fazer baixar ou acabar com o pedágio, deixando a impressão que era um guerreiro e não autor de mais uma bravata. E em consequência da encenação de Lerner, de cortar pela metade a tarifa, tivemos outros ajustes como o dos degraus tarifários e até hoje convivemos com isso.
Não é o único setor de caixa preta, porém evidencia que nossos governantes têm horror à luz como se dava com o Conde Drácula, cujo ecossistema se liga à noite e ao escuro. Ficou patente na emenda de Tercílio Turini que a CCJ rejeitou por ordem do governo (propunha nada mais nada menos do que um tipo de pedagiômetro ao alcance de todos, não genérico qual o da Associação Comercial com o impostômetro, porém capaz de clarear quanto rende o assalto compulsório) que o maior pavor existente é o da claridade, o da revelação e também se explica a obstinação em manter tudo sob sigilo. É claro que há malícia em parte daqueles que tentam tirar algum proveito no constrangimento às concessionárias e obter vantagens com CPIs ou quaisquer manobras de pressão.
No mix das razões políticas nem sempre cabe o questionamento moral já que os conflitos sempre expressam interesses e, muitas vezes, extremamente vis e são indispensáveis para a aproximação com a verdade. O pleito de Tercílio Turini é viável e possível, o que desde logo o legitima.
Com um crucifixo nas mãos se afasta o príncipe das trevas, com alho se faz distanciar a serpente e com bala de prata se atinge o lobisomem. O pedagiômetro do deputado londrinense vira esse governo, que mente por método, de ponta cabeça.

Investigação
Se a presidente Dilma Rousseff pode ter suas contas desaprovadas pelo TCU e uma investigação no TSE sobre sua campanha, por que se teria de blindar o nosso governador no caso da Publicano e com o informe gravíssimo, feito em delação premiada, de que parte da grana achacada de contribuintes teria drenado para a sua campanha eleitoral. A tradição aqui é de nada prosperar: as instituições se amarram para evitar constrangimentos. Mas a Procuradoria Geral da Justiça cumpriu elementarmente suas funções ao enviar o material para a Procuradoria Geral da República. O depoente abriu mão de um patrimônio de duas fazendas no valor de R$ 20 milhões, certamente amealhado por chunchos, e isso confere um peso diferenciado a suas revelações.
Aí, o PSDB fica igual ao lulopetismo ao alegar que a prestação de contas da campanha foi aprovada pelo TSE, esquecendo que se houver na raiz um fato criminoso ele precisa ser apurado de qualquer jeito. Imposição da lei e mormente do momento que o Brasil vive depois do mensalão e no fluxo relevante da Lava Jato.

Perícia, sim
Como pode a Justiça, sem o apoio de peritos e especialistas em econometria, tomar uma decisão como essa a respeito da tarifa técnica do transporte urbano de Curitiba? Costuma-se dizer que a matemática é infensa a sofismas e tende a expressar a mais clara das lógicas. Ora, essa área do conhecimento é permeável aos desvios do raciocínio. É claro que a contestação da prefeitura com tarifa menor tem todo jeito de recurso protelatório, o que politicamente é válido até porque a verdade pura neste caso está no fundo de um poço.
A Justiça não tomou decisão clara sobre a licitação cheia de anomalias e que se fosse anulada traria outras consequências jurídicas intermináveis. Quem se dana é o passageiro, de narizinho de palhaço como sempre.

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