A caixa preta
Um descuido da bancada oficial permitiu que fosse frutuosa a emenda aditiva do deputado Tercílio Turini (e rejeitada na CCJ) estabelecendo, entre as normas reguladoras das concessões, a colocação nas praças de pedágio do controle em tempo real da arrecadação em função do movimento de veículos. É visível o açodamento de setores do governo e áreas da iniciativa privada, a Faep entre as tais, para que se faça, o quanto antes, a prorrogação dos contratos.
Essa derrota de 34 a 13 votos traduz, de forma iniludível, a resistência da maioria da população à manobra e coloca, pela vez primeira, um pouco de transparência nesses contratos, cuja contabilidade ninguém conhece, mas que certamente só beneficia as concessionárias e setores oficiais, tal é a sua obstinação em resolver tudo, se possível, na marra.
Soa caricatural o empenho do líder Luiz Claudio Romanelli em fazer o arauto do governo, desesperado com o imperdoável descuido, quando ninguém esquece daquele seu arrombamento, sem pagar tarifa, na praça de pedágio e pela qual não foi punido como sempre no prevalecimento, que aqui se dá, da cordialidade nas relações de poder, mesmo diante da violência manifesta.
É indispensável que se criem os maiores obstáculos ao empenho oficial e haja a retomada do diálogo, inclusive daquele movimento popular contra o pedágio e com suas intervenções também na justiça. O tempo nunca foi tão senhor da razão como nesse caso.

Surpresa
Não é mais surpresa: Curitiba que se destacava. em passado recente, pelas inovações urbanas é hoje a primeira do ranking inflacionário. Se ao menos houvesse a compensação daqueles feitos, tranquilizava, descomprimia. Temos já, há dois meses, o ouro na competição: nos doze meses chega a 11,2% e no ano registramos 9,42%, o que é de tirar o fôlego. Os exegetas não explicam e pelo jeito vamos continuar emplacando até o fim do exercício. Há explicação para tudo quando existe competência e um mínimo de empenho.

Prensa
Movimento ontem de policiais militares, que passaram em concursos de 2012, se queixam de que não foram chamados. A Segurança replica que a convocação está sendo feita de forma gradual e que já teriam beneficiado 2.200 PMs e mais 200 bombeiros. Isso se repete com as promoções brecadas pelo ajuste fiscal, algumas concedidas, todavia não pagas.

Surto
A interrupção da baderna na penitenciária de Londrina, com sequelas fortes e danos materiais, deixa claro que o risco de novas rebeliões possa ocorrer em função do descompasso entre o aparato de segurança e o poder do crime agora organizado em facções, como a do PCC. A alegação de que há economia na comida ao lado da superlotação e pouco tempo para banho de sol é constante. Dá para lembrar do momento em que faltou ração para cães amestrados da PM. Amestrados sim, menos em jejum. Afinal, rejeitam o faquirismo. Ou mordem deputados.

Sigilo
A polícia quer que se imponha o segredo de justiça no caso da fisiculturista Renata Mugiatti (suicídio ou assassinato) porque as versões divulgadas, contraditórias e com o uso das redes sociais, dificultam as apurações.

Ativismo
Uma quadrilha que operava em fraudes de seguros de veículos foi flagrada pelo Gaeco e uma outra que atuava em shoppings em roubo de cartões de crédito com sequestro de clientes também ganhou destaque ontem. Um ciclo bom e isso tem o condão de devolver o perdido sentimento de segurança da população.

Folclore
Essa questão das eleições diretas nas escolas (aliás a da UNE continua sendo mais indireta do que a dos militares com a vitória do mesmo grupo), volta a ser discutida e até hoje não apresentou qualquer ganho quer para o segundo como para o terceiro grau. Numa dessas disputas, em Brasília, um grupo de gozadores quase emplaca o bedel da universidade como reitor.

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