Donos do pedaço
Quem é o dono da escola: a sociedade, a comunidade periescolar, o professor, seu diretor, o aluno ou, afinal aquele que a sustenta, o governo? É malha interativa e há direitos e obrigações para cada um. Da mesma forma que ao diretor não pega bem uma pretensão ditatorial em função dos votos recebidos, também não faz sentido uma escola refém, quer do sindicalismo quer da massa comunitária.
Jamais se fez uma reflexão sobre os efeitos da eleição de diretores como suposta vantagem sobre o sistema antigo de nomeação governamental. Criou-se um fato político, inquestionável, como se expressasse o fim da ditadura conquanto ela persistisse ainda por algum tempo depois das primeiras eleições que já não comportavam vetos ou acesso a fichas da Dops.
A eleição em si não quebra a hierarquia indispensável a qualquer núcleo de ensino, mas no nosso caso, estimulada pelo populismo, criou uma barragem de resistência ao mérito: o escolhido não vale por suas láureas acadêmicas e sim por sua habilidade oratorial e de trânsito entre os colegas ou ainda pela competência em distribuir panfletos. Uma das consequências disso aí é, sem dúvida, a mediocridade, o nivelamento na massa e a resistência ao mínimo sinal de meritocracia.
Não melhorou a escola nem o ensino, facilitou a ascensão do baixo clero e gerou o democratismo assembleísta. Estão aí para comprová-lo as avaliações como as do Enem para as escolas estaduais e nas que apreciam o terceiro grau.
Era, portanto, hora de rever tudo e, além do mais, criar condições para a atualização dos dirigentes escolares. A experiência de Lerner com Faxinal do Céu foi uma quebra de rotina, revelou a existência de um mundo pluralista além da sala de aula e do seu entorno, todavia seus críticos viram aquilo como lavagem cerebral o que não enxergam nas assembleias inúteis e rumorosas, essas com a chispa do fanatismo.
Já o voto universal amalgama os agentes da educação e envolve a família nos destinos da escola. Quanto às greves, urge testá-las, para ver se verdadeiras, com o não pagamento dos dias parados como providência elementar para que a suposta luta de classes, na verdade o seu mimetismo, seja checada.

MST
Mais gincana do que revolução, estão aí novamente os bloqueios de estradas pelo MST em Nova Laranjeira e Rio Bonito do Iguaçu em função da tese de que a reforma agrária empacou e se insiste em ocupar áreas produtivas como a de Quedas do Iguaçu (Araupel) ou esse caso do norte- paranaense de fazenda modelo e ligada à instituição universitária em torno da qual a Justiça já determinou o despejo, baseado em laudo do próprio Incra.
Ignácio Rangel, homem de esquerda, há muito tempo afirmou que a chegada do capitalismo no campo levou a reforma agrária à perda do bonde da história. A tese se sustentava no colonato e no primarismo das relações sociais. Se houver sustentação à agricultura familiar, o MST perderá prosélitos mais do que os já havidos com a bolsa família.

Teste
De vez em quando a prefeitura da capital dá sinal de vida: o teste ontem do ônibus elétrico (inteiramente e não híbrido) no Interbairros 2 o comprovou.

Agito
A virose política de baixar salários chegou em São Mateus do Sul: por 5 a 3 decidiu-se por reduzir ganhos de vereadores, prefeito e secretários, Vereador caiu de R$ 6,2 mil para R$ 800, do burgomestre de 20 mil para a metade. Além de terra do xisto pirobetuminoso, a cidade gera um chiste como esse. Válido como advertência, porém de futuro incerto. Curitiba e Londrina resistem.

Folclore
Uma das teses do solidarismo cristão do padre Lebret (influência em todo o sistema de planejamento daqui e de São Paulo, incluindo planos diretores) foi a da cogestão na administração das empresas para retirar-lhes o domínio de uma hierarquia vertical. Cogestão pode ser a saída na gestão escolar.

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