LUIZ GERALDO MAZZA
Cegueira seletiva
Em seu contato com a imprensa, ontem, o governador voltou a falar sobre a mancha irremovível de sua administração: o massacre de 29 de abril e assegurou que isso jamais ocorreria num país civilizado, referindo-se à infiltração, jamais comprovada, dos tais ''black blocs'' na manifestação.
Como se vê temos aí um caso clássico de cegueira seletiva: enxerga ''black blocs'' em meio a milhares de pessoas e não capta que os próximos com os quais partilha horas de lazer e intimidade são acusados pelo Ministério Público de estarem envolvidos nos desvios da área fazendária e no das construções escolares.
O mais grave é que um dos depoimentos em delação premiada aponta que cerca de pelo menos dois milhões de reais em achaques contra empresários por auditores fiscais foram transferidos para a sua campanha eleitoral. Isso é mais visível que os ''black blocs'' que lembra em tudo a generalização de que havia sempre subversivos conspirando contra a ordem pelo regime fardado.
O pior é que nada faz contra a pressão do Conselho Superior dos Auditores Fiscais em cima dos corregedores da categoria escalados para sindicar os desvios como se eles, no exercício do mais deslavado corporativismo, não percebessem que se trata de crime a circunstância de impedir o desenvolvimento das apurações, mesmo em se tratando de providência interna de caráter administrativo.
Surpreso
Como sempre Beto Richa se declarou surpreso com o informe da Lava Jato de que o seu currículo aparece numa mensagem da Odebrecht e, posteriormente, como beneficiário de doação na campanha eleitoral. Como Lula, nada sabe.
Protesto
A bancada de oposição e dos tidos como independentes da Assembleia, em protesto por não terem recebido informes sobre a situação fiscal (segundo a qual a arrecadação teria crescido 18% em relação ao mesmo período de 2014), deixaram o plenário ontem recusando-se a participar da audiência com Mauro Ricardo Costa. Vão agora se manifestar em pedidos de informação. Se lá ficassem, poderiam inquiri-lo pelo menos sobre as denúncias de que o Conselho dos Fiscais estaria processando corregedores escalados para apurar os desvios denunciados. Se nem isso funciona, isso é o fiel cumprimento da função pública e a apuração de anomalias, seu dever básico, tudo o mais não passa de papo furado. Caixa preta aí seria o máximo a desmoralizar de pleno a sua investidura e, sobretudo, a abrangência de seus poderes como principal gestor do ajuste fiscal.
Doce vida
Não é a primeira vez que aparece nas redes sociais presos curtindo mordomias nas cadeias distritais. Agora, teria ocorrido em Palotina com piscina e tudo como se fosse uma colônia de veraneio.
Saída
Mais uma vez fica demonstrada a inutilidade da ocupação de instalações universitárias como se deu recentemente na reitoria da UFPR: depois de quatro meses, o Restaurante Universitário, que haviam invadido, reabre hoje. Como se vê, a revolução é volátil como perfume sem fixador.
Cuidado
O secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, deu uma dica perigosa ontem: as contas do Estado estariam no azul e com um superavit de R$ 1,360 bi. O risco da volta da lua de mel com o poder é iminente, já há sibaristas babando de prazer. Ao explicitar que IPVA e ICMS configuram 60% da arrecadação mostrou a eficácia dos reajustes aí havidos no primeiro pacotaço.
Folclore
Vejam o tamanho do Estado no Paraná: para o orçamento de 2016 se prevê nada menos de R$ 54,5 bilhões e com 6,8 bi, pouco mais de 10%, de investimento: fazer uma lipoaspiração no monstro ninguém cogita. Na verdade, é 6% e que é completado por inversões das estatais e da autarquia portuária. Governo é uma criação teratológica, autofágica.





