LUIZ GERALDO MAZZA
12 anos de lentidão
Segundo notícia detalhada da imprensa, os procedimentos relativos ao caso Copel-Olvepar, que envolve várias figuras do governo Lerner, dentre elas seu secretário da Fazenda, Ingo Hubert, e que acumulava a presidência da Copel, na esteira dos agitos da CC5 Banestado, teria sofrido manipulação com o desaparecimento nos autos das declarações de Alberto Youssef.
Ocorrências se deram em 2003 e tudo isso dá ideia do velho esforço para a prescrição, como se verificou com tantas outras situações como a da Operação Gafanhoto em torno de irregularidades praticadas por deputados de várias legislaturas. O Ministério Público estadual retomou o comando processual e fala-se que Youssef teria modificado seu depoimento: antes envolveu o líder do governo Durval Amaral, hoje corregedor do Tribunal de Contas, e no de agora não fez alusão a essa participação. Se fosse na Lava Jato, com a possível mentira, já não bastasse a quebra de compromisso rompida na CC5 Banestado de que não voltaria a atuar no mercado, botaria em risco de nulidade toda a delação premiada.
Mais do que 12 anos, e já no Tribunal de Justiça, uma denúncia do Ministério Público sobre a legalidade dos radares da Urbs levou mais de 15 anos para ser julgada, sendo possível imaginar verdadeiras romarias de políticos municipais e estaduais à corte para evidenciar a catástrofe que poderá advir daquela decisão, capaz de gerar um suposto caos na capital.
A noção de que o Conselho Nacional de Justiça operaria com mais desembaraço do que corregedorias locais tinha plena procedência, mas aquele organismo de controle externo do Judiciário já não conserva o rigor nos éditos dos primeiros e históricos momentos, quando houve uma esperança semelhante, em dimensão menor, às geradas pelas expectativas da Lava Jato.
Caixas eletrônicos
O secretário de Segurança, Wagner Mesquita, voltou a opinar que aos bancos deferia ser deferida alguma responsabilidade na segurança dos seus caixas eletrônicos, ponto de vista também da Polícia Federal. Bancos pagam fortuna a empresas de seguro, tributos de variada natureza aos três níveis de governo e evidentemente não iriam arrostar com mais o ônus da guarda dessas unidades ou de aprimorar técnicas preventivas contra esse tipo de crime que mostra só uma coisa: a fragilidade das polícias para enfrentá-lo.
Raros são os acontecimentos como os da semana passada em que a Polícia Rodoviária Federal botou mão numa gangue e policiais civis e militares estaduais, mais o Exército, capturaram 175 quilos de dinamite e 244 metros de detonadores na zona rural de Almirante Tamandaré.
Um argumento comum levantado pelo delegado Cartaxo é que a pena leve para o crime facilitava sua frequência. Ora nem a pena capital faz baixar, pelo seu suposto poder intimidativo, a prática de homicídios. Quando há moleza é claro que o crime se torna sistêmico.
Pacote
Travou, por enquanto, na CCJ o pacote anticrise do governo com o pedido de vistas do deputado Péricles de Melo. Mas hoje acaba andando como quer Beto Richa e sua base disciplinada, ainda mais com os sinais de que haveria lenta, mas firme recuperação no ajuste fiscal.
Polêmica
Esperava-se no fim da tarde o parecer do deputado Tiago Amaral sobre o projeto oficial de eleição direta nas escolas. Talvez, seja mais tenso do que o pacote fiscal pelo fato de provocar a liderança sindical do professorado.
Folclore
A fragilidade do governo municipal de Curitiba tornou-o permeável às greves, desde as nitidamente de cobrança em favor das empresas delegadas como na do transporte coletivo e na questão da coleta e destinação do lixo, como as que pleiteiam planos de cargos e salários como a anunciada da Guarda Municipal que alega estar sucateada, sem equipamentos e vencimentos defasados. Sempre assim: governo fraco, sindicalismo cada vez mais forte.





