Por que o anti-Richa?
No meio desta semana coloquei a observação de que Beto, governador, é por tudo o que faz ou deixa de fazer o anti-Richa em relação ao pai. Em primeiro lugar, houve ideias na época de José Richa, dentre elas as das tecnologias apropriadas, o estímulo à pequena escala e uma obsessiva preocupação com os horizontes da democracia e o sentido da participação popular levado à prática nos atos rotineiros de governo. E quando houve transbordamento por causa do
assembleísmo, especialmente do PT, teve a lucidez de mostrar a diferença entre democracia e democratismo, lição parecida com a do marxismo, aquela do esquerdismo como doença infantil do comunismo.
Bem, para começo de conversa, hoje não há ideia, qualquer perspectiva de doutrina, uma constante no primeiro governo eleito depois da ditadura dos milicos. Havia intelectuais e técnicos para dar sustentação a essas práticas, originais portanto na condicionante do arbítrio implantada. E que teve até a incompreensão de entidades conservadoras, como a do presidente da Associação Comercial do Paraná, Carlos Alberto de Oliveira, de que haveria sete comunas no secretariado, o que não foi levado a sério.
Um dos pontos estratégicos foi o da eletrificação rural, transformada em questão ideológica, em função daquele ponto básico do programa fincado na tecnologia apropriada e da óbvia resistência que viria do estamento da Copel. A pressão foi de tal ordem que o cartel fornecedor dos postes de concreto decidiu, para não perder a escala dos seus negócios, baixar seus custos e escapar da possível e imaginária substituição por unidades de madeira tratada.
É assim o anti-Richa pela ausência de doutrina, de ideias, mas também por se mostrar disposto a destruir conquistas do funcionalismo por artes do seu pai como a da sustentação do 13º, um dos primeiros a adotá-lo no Brasil, e ainda mais a da paridade entre o pessoal da ativa e aposentados e já expressas no garrote vil sobre os salários e no avanço no capital do fundo de pensão. E no primeiro caso de corrupção decorrente da denúncia de Belmiro Valverde, da pasta do Planejamento, contra o secretário da Fazenda, Erasmo Garanhão, as duas maiores figuras do governo, pelo pagamento de comissões indevidas num empréstimo internacional erradamente, demitiu o acusador, que cumprira o papel zeloso, mas também o acusado, com o que agiu ao contrário do filho que deixa tudo fluir e mantém relações de intimidade com vários dos acusados em ações sob o crivo do Gaeco, isso sem falar na figura do parente distante e do amigo do peito o Ezequias sob proteção do foro privilegiado. É o anti-Richa bem-sucedido porque se reelegeu prefeito e governador e pode continuar como senador, enquanto o pai não voltou ao governo por obras de Requião e do seu líder atual, Romanelli, que massificou a certidão de aposentadoria do postulante que caiu no primeiro turno. Outra coisa no governo do José Richa seria impensável o massacre de abril. Ironias, nada mais, como a de um tango argentino.

Pardieiros
Um desabamento em edificação antiga na supostamente revitalizada Riachuelo na capital aparece como advertência num momento em que se fala em metrô. Notório é o desconhecimento do subsolo nas ações da prefeitura cujos engenheiros ignoraram a existência da passagem do Rio Juvevê sob o asfalto da canaleta exclusiva dos biarticulados do Cabral e tanto que a refizeram, por força desse desconhecimento, por mais de quatro vezes.
E vieram com a onda do metrô em cujo primeiro estudo esqueceram da área que deveria ser usada pelo material escavado, com mais de um milhão de metros cúbicos, essa semana apreciada em debate sobre o impacto ambiental se houver a viabilização do trambolho num momento em que a União, a prefeitura e o governo estadual, sócios no empreendimento, estão mais do que quebrados.
Quando do projeto do Veículo Leve sob Trilhos (VLT), alertei que a parte subterrânea do trajeto na Presidente Faria botaria em risco a integridade do prédio símbolo da capital em suas fundações, o da Universidade Federal do Paraná. Felizmente, o VLT não entrou nos trilhos.

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