LUIZ GERALDO MAZZA
Elogio do dedo duro
Embora não haja a correlação entre uma coisa e outra - ''dedo duro'' de 1964 e colaborador na delação premiada (a presidente Dilma Rousseff foi uma das que tentou a conexão) -, é preciso levar em conta que a maior parte dos feitos das polícias civil e federal se dá, mormente em apreensão de drogas, por via da informação de quem sabe de movimentos do tráfico ou dele participa como um concorrente. A operação ''Mãos Limpas'' da Itália não teria o sucesso obtido não fosse essa novidade de política penal, que tanto irrita o setor da advocacia criminal que lutava, inclusive, para tirar o Ministério Público das investigações, entregando-as ao monopólio da Polícia Civil, sabidamente sem um mínimo nível de autonomia nos feudos estaduais e ainda precária tecnicamente e sujeita à manipulação política, tal qual se vê de forma sistemática.
Igualmente os sucessos da Lava Jato se devem em grande parte, afora o poder investigatório em si, ao desespero que leva um sujeito à condenação pelo volume de provas recolhido a optar por esse instrumento ao menos para reduzir o peso das penas das quais sabe que não se livrará.
Com o fatiamento decidido pode ser que os indiciados aí enxerguem, sem dúvida, uma perspectiva de uma nova correlação de forças para absolvê-los e daí inferirem que com a decisão do STF foi realimentada a esperança de fugir à condenação e, portanto, de abandonar a delação por já não temer tanto o peso das possíveis sentenças. Tudo vai depender da interpretação (aliás vivemos um tempo em que a exegese e a hermenêutica valem mais do que a própria lei, tantas as suas cintilações semânticas e mesmo filológicas) que se dará aos efeitos do fatiamento e que podem efetivamente pôr em risco o acervo de feitos até agora acumulados.
Prensa corporativa
O chamado espírito de corpo (nem sempre de porco) funcionou no caso dos auditores fiscais ao ponto de abrirem procedimentos no conselho formal da categoria contra os que, na condição correicional, investigavam os malfeitos dos colegas. Isso é comum em todas as categorias e dá para lembrar a reação de deputados estaduais quando o Ribas Carli, o colega, se envolveu em trágico acidente e que era toda de empatia pelo causador do episódio que matou dois jovens e até hoje, seis anos depois, não foi a júri. Lembro também de um caso de médicos submetidos a processo ético porque se recusaram a cumprir decisão associativa que exigia compensações por atendimento na rede pública e aí se insere também a mobilização de magistrados em favor do auxílio-moradia, essa, então, numa perspectiva normalíssima, apesar da rejeição pública.
Cabe agora ao Gaeco, que tem os dados dessa gravíssima denúncia, além de torná-la pública, exigir institucionalmente a apuração do ato que tenta impedir a ação da polícia judiciária. Além das suspeitas e presunções, que colocam muito mal o centro do poder (as relações de intimidade, expressas em momento de lazer, de Beto Richa com alguns dos operadores do chuncho fiscal e daquele outro das construções escolares) temos mais esse ''aparelhamento'' muito parecido com aqueles que marcam a delinquência na Lava Jato.
Até agora o conselho não moveu uma palha para apurar as denúncias acumuladas, o que configura prevaricação gravíssima.
Um feito
Dois êxitos na luta contra o estouro dos caixas eletrônicos: a da Polícia Rodoviária Federal que surpreendeu quadrilheiros e a atuação comum da civil e militar e ainda do Exército na descoberta na zona rural de Almirante Tamandaré de nada menos de 175 quilos de explosivos e 244 metros de detonadores. Que isso signifique o fim da moleza na rotina e facilidade com que a gangue operava e que surpreendia pela inércia.
Folclore
Ação fazendária contra empresas que não estariam colaborando na campanha do CPF para aumentar a arrecadação, mais os bloqueios para ver os motoristas que estão com o IPVA atrasado, dão ideia de que nem a via calma tira do governo o atual nervosismo que jogou sua arrecadação quase no pré-sal.





