LUIZ GERALDO MAZZA
Pizza em fatias
Entre as charges feitas sobre a decisão do STF de fatiar o julgamento dos processos da Lava Jato a do Sponholz mostra uma pizza submetida aos cortes tradicionais, um exagero como convém à essência da crítica. É uma reação popular diante da identificação um tanto quanto heroica do público por Sérgio Moro, hoje uma expressão mais forte do que a representada pelo ministro Joaquim Monteiro no mensalão até pela sedimentação do tempo. Se permanecerem, como tudo indica, com a mesma força-tarefa as investigações e denúncias, conquanto levadas a julgamento em outras dependências da Justiça federal, não há risco de solução de continuidade, pois o desafio de manter a credibilidade do Poder Judiciário caberá a outros magistrados.
O clima de suspeita de decisão afetada por motivações políticas nasce não apenas do ceticismo geral quanto às práticas de impunidade como em função de uma espécie de alinhamento popular ao rigor adotado contra a riqueza colocada sob suspeita e até flagrada com a mão no pote.
É evidente que mesmo preservada a atuação de delegados e procuradores a defesa de acusados tentará interpretação extensiva do fatiamento para ganhar tempo e evitar que a clientela de colarinho branco passe pelas agruras da moda somadas à pressão midiática que transformou Curitiba na pauta principal de todos os meios de comunicação ocupados na denúncia da maior roubalheira até hoje constatada e comprovada no país.
Como tecnicalidade, rejeitar a conexão daquilo que vai além da Petrobras nada tem de anômala: ela simplesmente corta a linearidade procedimental e devolve algum sentido contraditório ao processo, indispensável em Direito, já que até agora só funcionou a denúncia com os acusados repetindo o cantochão de que nada fizeram de irregular, tanto que o TSE aprovou a prestação de contas, como se não valesse investigar a sua origem, notadamente se criminosa.
Babuínos
O grau de subserviência do Legislativo ao governo leva a situações caricaturais como essa de o seu presidente, Ademar Traiano e o líder Romanelli, irritados com as críticas da Fiep, divulgarem que o seu presidente recebe R$ 80 mil mensais quase o que ganha um deputado para dissimular que defende o povo. Imaginaram a briga de babuínos, aqueles primatas que digladiam com as próprias fezes, que daria se dissessem por aí tudo o que se pensa, se sabe ou se imagina da parte dos deputados? A subserviência não tolera qualquer gesto de independência, a mesma do regime militar. Beto Richa está precisando de uma ala universitária, que até o sertanejo já tem, para respostas como num auditório do Sílvio Santos.
Derosso
O Tribunal de Contas aposta corrida com instâncias judiciais para pegar o quase eterno presidente da Câmara Municipal de Curitiba, João Ckaudio Derosso, que a comandou por 15 anos, e agora pede que ele e a agência Visão devolvam mais R$ 230 mil, o que já soma mais de um milhão. Derosso não perdia em poder nem para o prefeito e ombreava com o governador: caído, é alvo de tudo.
Portal
Nem todos aceitam a prioridade, pelo custo (quase R$ 8 milhões) e utilidade do Portal do Futuro de Santa Felicidade que agregará um espaço de lazer ao bairro colônia de Curitiba. Falta de censo e de senso é o metrô, que nada inova e já custa duas vezes o que se imaginava. O Portal agrega, o metrô desagrega tudo, inclusive a cidade.
Folclore
Houve quem lembrasse a novela americana ''Mas não se mata cavalo?'', de Horace Mc Coy, quando o prefeito Gustavo Fruet tomou a iniciativa do combate a veículos de tração animal em defesa do cavalo, mas em prejuízo do catador de lixo e de sua ascensão social quando chega a esse estágio. Quem primeiro expulsou cavalos da rua foi Porto Alegre. Só que lá seu povo se diverte na tradição das cavalhadas o que mantém a utilidade dos animais. Para que lugar irão os nossos muares? Que não seja o matadouro ou um churrasco em lugar do carneiro afrodisíaco.





