LUIZ GERALDO MAZZA
Darwinismo à vista
O triunfalismo que precedeu eventos como o da Copa do Mundo (fracasso em todos os sentidos) e agora o das Olimpíadas do Rio mostra como nos deixamos anestesiar pelo ufanismo: os mais equilibrados eram olhados como inimigos da pátria ao mostrarem os riscos, inclusive o abominável da poluição das águas da baía da Guanabara. Pois agora com os arrastões no Rio praticados pelas vacas sagradas do Estatuto da Criança e do Adolescente passamos por uma hipótese mais vexaminosa com a montagem de ''justiceiros'' de academias de lutas marciais, preparados para reprimir com bastões de beisebol os assaltantes quase desnudos e de sandálias.
É o darwinismo social em marcha que pode, de repente, se dar nos centros urbanos a pretexto do combate aos pichadores, uma espécie de guerra biológica e com todos os horrores de mundo cão. As duas situações mostram que aquilo que aparenta sobrar no Brasil, a dimensão do Estado, é, na verdade, sinal claro de ausência, o que estabelece um quadro de anomia.
Como a Justiça no Rio exigiu que se apreendesse (falar em prisão é incorreto politicamente) o menor infrator em apenas casos de flagrante, alega-se que essa decisão estimulou a gangue dos arrastões. O incomodo e a violência que afinal aterrorizam os turistas nessas operações levaram a autoridade a pensar no que fazer para evitar que tudo se reproduza nas Olimpíadas com os ataques nas areias das praias superando o interesse pelo que se dará nas pistas, piscinas e quadras.
Dá para lembrar da Eco 92 quando se sugeriu que foi indispensável a montagem de um armistício entre governo e o crime organizado, tráfico especialmente, para garantir a segurança dos delegados internacionais. Se esse pacto é por tudo desprezível não menos aterrorizante é a perspectiva de que milícias de agentes violentos, adestrados em lutas marciais, venham a fazer o papel que o Estado com elefantíase e pegajoso não cumpre na salvaguarda dos cidadãos.
O câmbio
No Plano Real havia paridade, de saída, entre a moeda nacional e o dólar. Tal relação no passado distante, antes das mudanças monetárias, tinha sido de 20 por um e agora ela está na de quatro por um. Mario Henrique Simonsen advertia sempre que a ''inflação aleija, o câmbio mata''.
Bronze
Andamos bem de ranking: nas Brs, boa parte delas gerida estadualmente em troca do pedágio, somos o terceiro nacionalmente em acidentes, portanto, medalha de bronze, mas em atropelamentos estamos em primeiro, ouro. É o Paraná seguindo pra trás com determinação, consciência e método.
Ânsia fiscal
Enquanto o prefeito da capital ameaça com protesto os devedores fiscais entregando-os ao Seproc, o governo estadual manda novo pacote de maldades à Assembleia Legislativa e não se limita a isso tanto que ontem uma blitz foi montada em Santa Felicidade a pretexto de cobrar o IPVA de motoristas.
Revisão
A taxa de retorno do metrô estava em 6,5% ao ano e hoje deve ultrapassar com o quadro recessivo em mais de 10,5% ao ano. Seus custos têm que ser refeitos em no mínimo 50% para 30 anos de tarifa e amortização, mas o delírio, à falta de notícias, prossegue. O projeto, para muitos, é um caso de mula sem-cabeça. É o único tipo de mula admitido no momento em que se proscreve veículos de tração animal na capital em nome da modernidade. Na Inglaterra as carruagens dão brilho ao teatro da realeza, mas há também o pedágio urbano.
Folclore
Paraná, medalha de ouro no Brasil, em atropelamentos nas BRs e terceiro, portanto medalha de bronze, em acidentes. Como se diz e o slogan confirma: o Paraná segue em frente. Em massacre é ouro, o dos gaúchos, visto anteontem, é fichinha, é série B na competição.





