LUIZ GERALDO MAZZA
Gritos muitos, ouvidos moucos
A greve se generalizou no país e as endêmicas e de rotina como a das universidades, de esperado retorno nulo, e as mais arregimentadas como a de anteontem das prefeituras brasileiras. Aí há questões imediatas como a queda dos repasses federais no Fundo de Participação com perda de receita de R$ 94 milhões só aqui no Paraná, cobrança de promessas como a do reajuste no FPM em 0,5% e que ficou em apenas 0,25% e a mediata, ainda quase uma utopia, da revisão do pacto federativo. O Brasil tem uma estrutura mais de república unitária do que federativa na discriminação de encargos e partilha de recursos e não será num momento em que o país patina em areia movediça que se obterá um objetivo como esse, ou outro, também lembrado, da reforma fiscal. Entalado em crise sem precedentes, não há uma atmosfera como a da Constituinte, tal como a vivemos em 1988, para refazer nossos fundamentos institucionais. Vale, porém, o protesto, talvez tão inútil como as marchas a Brasília, que tem, no entanto, a virtude de expressar-se na unidade básica de Estado, a mais capilar de todas, e mais próxima do eleitor, que é o município.
Autoritarismo
É nas crises que se percebe a vocação autoritária dos nossos governos: é na hora das pacotaços, como os desejados pela União e pelo Estado, que se percebe essa compulsão. Os dirigentes e seus aliados agem com um desprezo olímpico pelas reações do público já angustiado com a carga tributária e, nesse estilo de comportamento, há muita semelhança com ações da ditadura militar, odiada no discurso e seguida na prática. O governo, tanto o de Brasília como o daqui, se encastela numa ''ilha'' com um desprezo visceral pelo que argumentam os seus críticos. Além de tudo, não perdem o culto ao pior dos nossos hábitos no mais arraigado populismo, botando no pacote o tal do fundo da pobreza quando seu maior efeito, pelo menos imediato, será o de aumentá-la.
Mais prisões
As novas prisões de ontem, de gente ligada à Receita Estadual, prova que a Operação Publicano segue seu rumo, apesar de algumas dificuldades no andamento das ações com a velha história de discutir o foro privilegiado, forma de levar tudo à prescrição como querem os advogados. Lamentavelmente, apenas um dos réus se dispôs a fazer a delação premiada e isso cria expectativa otimista entre os demais denunciados. No caso ''Gafanhoto'', até hoje sem solução clara, tudo se deu pelo fato de dois deputados estaduais terem sido eleitos federais o que mudava o foro. Manter os processos na instância de primeiro grau (e a Lava Jato é um exemplo de como resistir a tais manobras) é uma garantia de fluidez ao processo judicial e vacina contra a prescrição. .
Os pactos
Agora, há a denúncia de que o antecessor de Fruet teria transferido processos de engenharia de sistema para o Instituto Tecnológico de Curitiba, evidência do regime de capitanias donatárias visível também nas questões do lixo, do transporte coletivo e do aluguel de carros. Agora, por exemplo, na greve dos trabalhadores da Cavo se percebe o resultado dessa relação maliciosa e sempre agitada a cada atraso de pagamentos da prefeitura à concessionária. E o incrível é que há um jogo de cena permanente, um teatrinho burlesco fingindo suposta tensão como se dá agora com o aumento da tarifa dos coletivos que o prefeito tenta empurrar com a barriga simulando resistência, e as empresas vão ao Judiciário fingindo que romperam com o poder concedente. Temos que sair por aí de narizinho de palhaço. É o que somos todos para os políticos.
Folclore
Beto Richa tende a ser, em relação ao pai, o Anti-Richa: enquanto aquele criou o décimo terceiro salário e a paridade entre ativos e aposentados do funcionalismo, esse arrocha salários, avança no capital do fundo de pensão e ameaça mexer também nas aposentadorias, como tentou inicialmente cortar quinquênios e anuênios dos barnabés.





