Aparências e imagens
O forte de Beto Richa sempre foi na aparência e na imagem: com o rosto de mocinho de filme de aventura, a energia juvenil e os impulsos apropriados à idade. Durante a apresentação do último pacote com menos ferrão do que os anteriores, ele parecia um papagaio de pirata erguendo a bola para o tzar financeiro cortar, não tendo sequer um mínimo de improviso para sugerir as tais das medidas contra a crise nacional quando, na verdade, se voltam como as anteriores para enfrentar a conjuntura regional, criada dominantemente por ele mesmo, como se sabe.
Dentre as 18 medidas e o óbvio, como o anúncio do 13º hoje amaciado com o garrote vil aplicado na maioria dos servidores do Executivo, tenta um novo astral, mas quem mais parece desconfortável é o governador, ainda que tentando novamente sugerir que o governo da União o persegue nos empréstimos. Ora, quem deve tanto e ainda por cima agride a Lei de Responsabilidade Fiscal não deveria criar novas obrigações que, mesmo a longo prazo, deverão ser pagas e em dólares.
Por sinal que foi com seu pai, José Richa, e o PMDB no governo, que relações normais que o Paraná fazia com o exterior foram questionadas: a história de um empréstimo que pagou comissões que levou o secretário de Planejamento, Belmiro Valverde, estranhar a novidade atribuída ao secretário da Fazenda, Erasmo Garanhão, provocando uma crise que redundaria na demissão dos dois. Provavelmente, posto que um pecado venial e de reduzido porte diante dos fatos de hoje, voltado para financiamento de campanha eleitoral que afinal o maná bíblico só cai do infinito na leitura sagrada, embora a pose de austeridade que se costuma adotar.
Único avanço real da gestão financeira de Mauro Ricardo Costa, o Sassá Mutema do momento, foi a aliviada no capital até então inacessível do fundo de pensão, que pode ainda cair em decisão da instância superior e chutar o pau da barraca de toda encenação. Quanto ao auxílio à pobreza, esse parece ser a síntese de todo processo: antes do atual governo, o Paraná era remediado e agora, depois dessa experiência, é efetivamente pobre. E isso em tudo, sobretudo, em imaginação.

Belisco
Onde for possível um belisco, ele será dado via multas e reajuste de serviços como o do Estacionamento Regulamentado. Por sinal, que é indispensável responsabilizar o Estar em casos de roubo ou ofensa a veículos estacionados.

Imagem do Chê
Zé Dirceu e mais dezesseis, dentre eles Vaccari, Renato Duque, foram enfim ontem denunciados à Justiça. Alguns podem fraquejar e buscar consolo na delação premiada. Impensável com Zé Dirceu, o ministro mais próximo de Lula, o que equivaleria no imaginário da militância a um Chê Guevara em crise. O imaginário tudo cobre: aqui no Paraná um livro sobre a resistência democrática coloca o Aníbal Curi quase no papel do Guevara, um mártir de 1964 .

Saúde
Vereadores da capital foram até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), da Boa Vista, e tiveram lá a informação de que 45% dos assistidos são originários de cidades metropolitanas. Deveriam olhar é quanto tempo um usuário leva para ser atendido que é estatística mais consistente e não promocional.

Balanço
Segundo o oficialismo, a receita cresceu 14% (menos aliás que exercícios de 2014) e a despesa 1,5%. O superavit seria de R$ 2 bi anuais, merreca se verificarmos que a despesa com barnabés é de R$ 1,3 bi ao mês, tendendo sempre a crescer até inercialmente com promoções e progressões, isso sem falar na febre dos comissionados que o governo estimula. .

Folclore
Tanto Beto Richa como Gustavo Fruet se sairão muito mal se o Atlético Paranaense impuser a tese de que ele paga um terço das contas, enquanto os dois pagam o restante. E o povo reza o terço para que se reelejam se isso ocorrer.

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