Invasão inócua
Apesar de aparência revolucionária, com seus militantes encapuzados, a invasão da reitoria da Universidade Federal vai ter hoje um momento decisivo: a autoridade adverte que se a ocupação persistir o pagamento de fornecedores ficará inviabilizado e se fosse com salários de professores e funcionários o impacto seria maior. Lembra em tudo o ocorrido com a greve dos professores estaduais, quando os mais radicais cercaram a Secretaria da Fazenda e ali persistiram até a autoridade lembrar que as folhas de pagamento não poderiam ser confeccionadas, caso o cerco persistisse.
É evidente que a maioria da comunidade, afetada pela situação, se colocaria contra os manifestantes por uma questão óbvia de interesse imediato. Da mesma forma ,boa parte dessa carga reivindicatória se diluiria se houvesse a decisão de não pagar os dias parados. E ela se sustenta justamente na omissão desse princípio elementar de autoridade, indispensável de ser levado em conta especialmente para evitar transbordamentos do princípio da liberdade. Nas horas de caos que estamos vivendo tudo isso é desdenhado, esquecendo-se os reivindicantes que situações como a do Rio Grande do Sul, obrigado a parcelar salários, podem se generalizar. Se receber em parcela já é uma dureza, dá para imaginar o que acontece quando se corta o pagamento do dia parado.

Ativismo
E entra no apogeu o foguete promocional de Beto Richa da sua badalada pauta positiva com o anúncio de 18 medidas de resposta interna à recessão brasileira, mais um garrote vil no contribuinte, dentre elas a criação de uma Fundação de Combate à Pobreza para amaciar a barra e expor filantropia. Se o nosso governador deixar de estar acompanhado numa certa intimidade, porque na hora das práticas de lazer, com pessoas comprometidas na roubalheira denunciada pelo Gaeco e Tribunal de Contas, seria tão importante quanto as soluções elencadas. E por uma razão muito simples: aparências como essas levam a presunções nada confortáveis.

Saúde
A unidade de saúde do Xaxim em Curitiba foi reaberta ontem, dois anos depois de parada. As unidades Jardim Aliança e Campo Alegre (Cic) com 70% e 65% das obras ficam pras calendas. Tais obras pararam em fevereiro do ano passado. Isso é café pequeno para quem está pretendendo fazer um metrô, cujas obras certamente demolirão a cidade e ficarão estacionadas por mais de cinco anos. Centros de Educação Infantil e creches na lista dos atrasos. Municipalidade avisa ainda que não é pequena a inadimplência no repasse de verbas estaduais.

Prensa
O Tribunal de Contas vai aumentar o padecimento dos prefeitos: tem no disparo, em matérias já julgadas, R$ 81 milhões a serem restituídos, dentre eles o de Cambé. Somando as julgadas com as por julgar a conta se eleva a R$ 230 milhões. Por essas e outras, prefeitos paulistas foram ao tribunal de lá pedir a indispensável leniência.

HSBC
De novo ontem, dando sinal de vida, bancários do HSBC, angustiados com a transição para o Bradesco, fecharam as agências. O momento não é bom e o dirigente Setúbal, do Itaú, anunciou em entrevista um corte para logo de pelo menos 10 mil dos seus trabalhadores. Se alguém estiver rindo preste bem a atenção para ver se não se trata de sequela de um derrame no rictus facial.

Vereanças
Enquanto a cerveja nos estádios vai pro pit stop, o vereador Cicarelli quer criar o dia do diácono como o Valdenir Soares bolou o dia do obreiro da Universal.

Folclore
O governo só existe na TV: afirma que nomeou 10 mil policiais e aí sai o IBGE e conta que na relação PM/população, a do Paraná só vence a do Maranhão e na Polícia Civil a nossa figura entre as cinco piores. É o Paraná pra trás na aparência que vai pra frente.

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