Mimetismo pobre
A forma como os invasores da reitoria da UFPR se apresentam é mais próxima de uma rebelião de presidiários do que o que pretende sugerir, um ato revolucionário, típico das manifestações juvenis. A repetição desse tipo de ocupação, já que chamá-la de invasão lhe retiraria o caráter ideológico, é facilitada pelo excesso de fair play da autoridade universitária, de sua hierarquia superior.
Apenas a agressão a um funcionário terceirizado da área de segurança, de baixo poder ofensivo, foi registrado como tentativa inútil de dissuadir a rapaziada que pratica o ato em nome da greve deles (alunos) e dos mestres.
Quase esse tipo de violência impede que a Universidade Federal firmasse o protocolo entre a Empresa de Assistência Hospitalar e o combalido e desfigurado Hospital de Clínicas, que o salvaria da UTI afogado em sequência de greves intermináveis. Naquele momento, no entanto, a reitoria soube resguardar seus interesses dando cobertura ao seu Conselho Universitário para que garantisse maioria, apesar da violência sindical que impedia seus membros de irem ao colegiado para a votação que mostrou a fragilidade dos adversários, fortes na arrogância e na soberba, mas incapazes de fazer a arregimentação exigida para vencer a batalha.
A greve universitária virou uma forma de impotência e uma imposição, jamais um acidente no seu calendário anual. Na assembleia que precedeu tudo isso a diferença em favor da greve foi mínima, todavia não impediu que se considerasse a força do dissenso, o que prova a inexistência de proclamada unidade. Ademais, o dispositivo disciplinar, o de não pagar os dias parados, jamais é cogitado, daí a repetição da turbulência como se deu aqui no Paraná com os professores estaduais. Se cortasse uma só vez, como fez o governo de São Paulo, o cenário seria outro. E agora o governo infantilmente provoca os professores, incitando-os à greve, com a sua mudança no sistema de eleição de diretores da escola. Pelo menos aí, ainda ontem, houve algum cuidado no caso com as emendas colocadas na Comissão de Constituição e Justiça.
De repente, os professores, como profetizou Beto Richa, já que o fato não ocorreu, embora constantemente referido, também acabam mimeticamente se trajando de black bloc para ocultar a identidade e deitar e rolar à vontade como os corruptos da administração estadual nas ações do fisco e em obras escolares pagas indevidamente. Que bom se esses fizessem greve e parassem de ''morder''.

Imaginário
Estudante encapuzado como rebelde presidiário é tirar o lado mais construtivo da gincana a que se dedicam. O imaginário é livre como o do ascensorista que se crê um astronauta.

Dá-lhe, Copel
A Copel cortou anteontem a energia da Arena da Baixada. Será que ela é tão dura quando o inadimplente é algum órgão estadual? O que serve para Chico é cabível a Francisco. Isso é uma frase, não uma constante, um axioma.

Sem delação
Marcelo Odebrecht falou: não tem o que dedurar. É até possível não ter o que dizer diante do acúmulo de provas testemunhais e periciais.

Sinal positivo
O Bope desenvolvia, originariamente, a ação contra quadrilha de traficantes da Região Metropolitana de Curitiba quando recebeu o apoio do Gaeco. Essa é uma sincronia positiva: a causa tem dimensão de cruzada. Há PMs envolvidos.

Avanço
Denúncia formal na Lava Jato contra a Eletronuclear, aquele caso do almirante.

Folclore
Uma frase comum no jornalismo dos anos 40/50 era chamar alguém de desfrutável. Caso clássico do nosso governador tendo seus momentos de lazer (andar em competição automobilística e jogar tênis) com amigos envolvidos nas trutas da administração estadual.

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