LUIZ GERALDO MAZZA
Desídia sistêmica
Houve um tumulto na Penitenciária Central de Piraquara na quinta-feira, mas a versão edulcorada do governo é a de que se tratava de um episódio isolado, pontual, sem relevância. Ocorre que havia nada menos de 1.640 presos no recinto que poderiam envolver-se, o que foi evitado pela ação dissuasória dos guardas de presídio e PMs. No último levantamento da OAB, houve a constatação de 20 mil sentenciados no sistema. A degradação do modelo é notória e em nada melhorou a passagem do Depen para a Segurança.
Para se ter uma ideia das apurações, houve um momento em que havia 37% dos presidiários trabalhando e 45% estudando, percentuais que caíram drasticamente para 10% e 20% respectivamente e num momento em que se apontava o Paraná como um modelo, capaz de exportar as suas normas. Tudo se deu no governo atual e que só acordou para a realidade quando dos conflitos sucessivos e com mortes, como o paradigma de Cascavel. Lá, por novembro, a OAB, por sua área de Direitos Humanos, voltará a fazer um censo da situação e, certamente, haverá registro de agravamento.
Tal se repete, como rotina, na questão afim da Segurança: além daquilo que o IBGE mostrou com o Paraná em penúltimo na relação PM/população, superando tão-somente o Maranhão e na civil entre as cinco piores do País. Segundo estudos, a deficiência na área é de 4.284 profissionais e visível, por exemplo, no fato de que há mais de 100 comarcas sem delegado e alguns são itinerantes, uma espécie de pretor peregrino como os da Roma clássica, que atendem várias cidades ao mesmo tempo. Por sinal, que isso também é comum na área de saúde. Todavia, o farol é o de que tudo está bem, nos conformes.
Bote-se uma lupa em todo o aparato público e esse sinal de desídia sistêmica, por vezes dissimulada na propaganda, é uma constante. Como se não bastasse, há ainda espaço abrangente para a corrupção como nos casos da gangue de fiscais e das obras de engenharia na educação.
Emocional
A sessão pública sobre o Uber na Câmara Municipal levou cerca de 500 taxistas que fecharam contra a inovação. Na conjuntura atual é impensável admiti-la pela baixa demanda em função da crise, mas leva jeito de algo que virá, embora com a regulação indispensável do setor.
Analogia
A possível revisão, por força da descoberta de crimes na origem, da aprovação das despesas eleitorais no caso da presidente Dilma podem se repetir no local com a delação premiada do auditor que se referiu aos R$ 2 milhões decorrentes de desvios nas propinas na campanha de Beto Richa, conforme a Operação Publicano está registrando. Ou a carga é só contra determinada facção?.
Incerta
Depois da ocorrência da Unidade de Pronto Atendimento da Fazendinha, que se seguiu a um caso de morte, a prefeitura deveria adotar o sistema permanente de incertas para surpreender irregularidades no atendimento das pessoas, tal qual fazia Manoel Ribas em visitas ao interior. A excessiva procura de pessoas da Região Metropolitana superlota essa unidades. Na da Boa Vista nada menos de 30% da demanda é originária de Colombo.
Módulos
Beto Richa como prefeito apareceu entre os melhores das capitais. Já como governador não tem destaque e isso é uma questão modular: Curitiba tem um modelo razoável (Fruet o está deslustrando na questão financeira) e que opera razoavelmente. Por exemplo: na educação básica a prefeitura da capital aparece entre as melhores do Brasil como também em saúde e o governo estadual se dá mal em ambos os casos. Credita-se, por exemplo, a Curitiba o bom desempenho em mortalidade infantil. É verdade que há contribuição estadual nas campanhas de imunização em massa.
Folclore
E o PIB que se transforma em pibinho e, de repente, como a lesma, submetida ao sal, desaparece.





