LUIZ GERALDO MAZZA
Ubiquidade, ambiguidade
Quem está em vários lugares ao mesmo tempo é o parente distante Luiz Abi: está nos casos da oficina mecânica que repara veículos oficiais (Valdemort) e também, segundo o Gaeco, na articulação das operações da máfia dos fiscais (a Publicano) e agora é referido lá em Cascavel como vinculado ao vice-prefeito, Maurício Teodoro, PSDB, com parentes envolvidos em negócios irregulares investigados pelo Ministério Público e ontem amplamente noticiados.
Como se vê, essas coincidências são desgastantes e se prestam a presunções nada confortáveis para o governador que, no entanto, sustenta uma distância olímpica dessas naturais inferências como se estivesse em outra galáxia. Há, é visível, pessoas que se valem da proximidade com Beto Richa para a expansão de suas operações, valendo-se desse mimetismo afetivo ou de aproximação, como fator de livre trânsito. Há situações de outra índole, como a do também aproximado Caramori, o fotógrafo, flagrado na exploração de menores e que se valia para as suas atividades da condição de agregado à Casa Civil como assessor e que, obviamente, foi demitido.
Em situação alguma, até agora pelo menos, houve qualquer evento que viesse a comprometer pessoalmente o governador, mas dá para perceber que os seus amigos mais leais e componentes do seu estafe não percebem a necessidade de montar um cinturão sanitário para impedir a frequência com que tais pessoas, envolvidas já em processos, se utilizem dessa malícia como escudo de proteção.
Num país em que pululam aspones, hábeis nas artes da manipulação de cenários, esse cuidado deve ser uma constante na administração pública: se os leais e verdadeiros oferecem risco, como se vê com o que ocorre no Brasil, imagine-se com os maliciosos.
Um pouco de ubiquidade, um outro tanto de ambiguidade.
Cerveja
Vereadores de Curitiba revogaram ontem o Estatuto do Torcedor, lei federal, por 19 votos a 11 e reintronizaram a cerveja nos campos de futebol. Ministério Público já alertou que entra com medida judicial, se Fruet não vetar. Também no caso do malsinado dispositivo sobre créditos de pequeno valor houve fuzarca: uma lei, a de Lerner, que fixou os parâmetros de agora, foi derrogada por uma de Requião em decreto, o que é absurdo. E, agora, fulminada por decisão de primeiro grau, pode ainda dar margem a um decreto legislativo de anulação. Parece incrível que uma corte de procuradores acompanhe esses eventos e deixe passar distorções tão aberrantes. Como no caso da cerveja, de repente, as coisas descem redondo como a Skol, tal qual deseja o governo que nesse caso está com a razão quanto ao conteúdo e errado na forma.
Pregação
Ontem foi a vez de Sérgio Moro falar num Congresso de Direito Administrativo, hoje quem faz palestra é o procurador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, no Colégio Santa Maria, que estava também na terceira página da "Folha de S. Paulo". Além da divulgação massiva, há o empenho doutrinal dos agentes desse processo. O outro lado, os que fazem restrições às delações premiadas, pouco se manifesta: deserção ou não ter o que dizer?
Ativismo
No ciclo ativista, o Tribunal de Contas, que anda às voltas com os chunchos das construções escolares, fez relatório sobre a má situação do ensino médio estadual mostrando que na conjuntura atual seriam necessárias mais 100 escolas novas e a reforma em pelo menos 400. Com uma situação dessas como esperar as respostas positivas do Enem?
Fuga
Seis prisioneiros fugiram da cadeia em Francisco Beltrão: três mortos, três recapturados. Estatística aponta que a doutrina dura persiste a mesma.
Folclore
Num distúrbio o que é pior: um policial violento ou um cão policial sob estresse de bombas, balas de borracha e gás de pimenta? O ferimento sofrido pelo cinegrafista Jesus em abril poderia ter atingido sua artéria femural.





