Decreto caiu: volta?
Apesar de todo o esforço na área política o decreto 2.095 de Beto Richa sobre o teto de pagamento das obrigações de pequeno valor caiu finalmente em ato do juiz Cesar Guizoni da 15º Juizado Especial da Fazenda Pública de Curitiba. Se não superar o impasse na instância superior (o que é bem possível dentro das nossas praxes), enfrentará grave problema: só três ações coletivas, da Saúde e dos guardas de presídio, consumirá a metade dos R$ 600 milhões disponíveis para atender o total dos precatórios do exercício. Há mais de 200 ações coletivas de porte inferior de servidores contra o Estado.
Situação é semelhante à de quase a totalidade das unidades federativas: no Sul, por exemplo, Santa Catarina, que está na melhor situação fiscal, fixou o teto em R$ 7.880; no Sudeste, Minas com R$ 12.460 mil, Espírito Santo com pouco mais de R$ 6 mil e São Paulo ficou em R$ 24 mil que, proporcionalmente ao PIB, é menor do que o adotado aqui. Todo o mundo tenta driblar credores.
O magistrado viu inconstitucionalidade num tema que deveria passar pelo debate e a contribuição legislativa, embora esse decreto esteja revigorando uma lei estadual, a de número 12.601 de 1999, derrogada por um decreto do governador Roberto Requião.
Situações como essa - e dentre elas a da intromissão no capital do fundo de pensão estadual - se alterada na instância superior podem agravar ainda mais a delicada situação fiscal. O fato é que, apesar do argumento da Procuradoria Geral de que se trata de uma questão estrutural, ninguém crê em mudança comportamental ainda mais se o sufoco for superado e certamente teremos a lua de mel da gastança da primeira gestão de Beto Richa, a que afundou o erário.
O normal nessas questões é a desídia do administrador que permite que se acumulem dívida que sabe que não irá pagar, cuja definição está nos novelescos precatórios.

Mais uma
Não sabendo o que fazer para sair do atoleiro, criou uma empresa de securitização para empréstimos, embutida no pacote do arrocho, uma estatal nanica mas disposta ao exercício de um tipo de clientelismo que era feito pelo Banestado com o antigo Instituto de Previdência, o IPE. A Fomento do Paraná, alvo de cutucadas do Tribunal de Contas, teria capital para tanto, mas precisaria readaptar-se em termos estruturais. Uma das suas pendências é a da grana transferida ao Atlético Paranaense e há tendência para tanto a prefeitura quanto o governo estadual levarem um cano por muitos já esperado, inclusive na profecia do secretário da Copa, Mario Celso Cunha.

Baia fechada
Vivemos sob o signo das barricadas, também no mar: pescadores fecharam ontem o porto da passagem de Guaratuba porque o Ibama os multou severamente a ponto de uma só empresa ter sofrido uma sanção de R$ 800 mil. Mas os abusos são frequentes com a colocação de redes na embocadura de rios que dão margem a formas predatórias de intervenção com o uso da malhas finas demais. O bloqueio começou no início da tarde e provocou engarrafamento de carros até a altura da praia das Caieiras,

União
A presença de Geraldo Alckmin no Paraná junto com o empresariado é esforço por unidade na crise nacional, o que indiretamente favorece sua postulação como candidato presidencial apoiado por Beto Richa. Enquanto isso, Aécio Neves sofre desgaste das precipitações no tucanato. Está se pensando também no agora com a hipótese de solução emergencial para a Presidência da República.
Como se vê também no caos é possível navegar, ainda que lembre delírio.

Folclore
Em primeiro lugar o governo arrocha salários dos servidores do Executivo e depois cria uma empresa para empréstimos consignados, sem risco de qualquer inadimplência. Não é o ''morde e assopra'' e sim o ''morde, morde.''

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