LUIZ GERALDO MAZZA
Um teste sério
Cada manifestação, como as três havidas este ano e as anteriores, é um teste à ordem democrática. Se temos uma Polícia Militar e corpos auxiliares como as guardas municipais, habilitados, como se viu, a garantir a ordem e o império da lei assegurando o direito à livre manifestação numa concentração que reuniu na capital, Londrina e Maringá massa superior a 100 mil pessoas por que isso não funcionou no Centro Cívico em 29 de abril?
É que naquela o governo não observava neutralidade, interessado que estava em botar a mão no capital até então indisponível da Paranáprevidência e ocupado em fazer a repressão para garantir a tramitação da matéria no Legislativo, que via sob ameaça e, portanto, com um máximo de garantias e um mínimo de respeito aos direitos dos que protestavam, daí a selvageria bélica.
Segundo informes dos atos de domingo, teríamos apenas quatro casos de agressão confirmados, enquanto no massacre anterior contabilizamos mais de 200 feridos isso sem falar nos que sofreram outros tipos de constrangimento. É que domingo o partido do governador, em mais um gesto de oportunismo eleitoreiro, o PSDB, buscava surfar na onda criada por outros e, portanto, estava de atalaia para observar e garantir a ordem pública. Já no caso do fundo de pensão valia-se da oportunidade para avançar, não importando se com malandragem de parque, no seu objetivo de reduzir significativamente seus dispêndios com inativos.
Agora, o governo promete outras - logicamente mais do seu interesse - como a do fundo complementar previdenciário (em situação anterior pretendeu misturar tudo) que por essa razão obrigará as vítimas do massacre, os sindicalistas, a voltarem a acompanhar as coisas no seu andamento legislativo.
Resta saber, se agora em plena agenda positiva de Beto Richa, apelará de novo para a ignorância ou se daqui para a frente agirá como no domingo, em que fez bem em não aparecer em cena.
Repique
O PT e seus aliados, como a CUT e movimentos sociais, pretendem dar o repique na celebração de domingo. O pessoal da praça está marcando para dia 20 sua resposta aos que pediam, entre outras coisas, o fim da corrupção e a saída da presidente (esse não é tema de consenso, havendo os que colocam como valor principal as regras do Estado de Direito Democrático). Pelo jeito, embora haja quem pretenda mobilização também no próximo domingo, teremos uma disputa numérica tal a qual a dos comícios do passado e que sugeriam uma prévia do resultado da eleição pelo menos na cabeça dos interessados.
Cá entre nós, até movimentos justos correm o risco do desgaste como se viu neste último por força da fadiga do material, do estresse.
Inquérito
Houve a morte de uma paciente, por falta mínima de atendimento, em junho, na Unidade de Pronto Atendimento da Fazendinha. Houve inquérito policial que concluiu pela culpabilidade de um enfermeiro. Ninguém esquece de um médico que se queixava de estar sendo fotografado enquanto ouvia perguntas de repórteres.
Presidentes
Circula a notícia de que os presidentes da Assembleia, o atual e o anterior, Traiano e Rossoni, teriam sido ouvidos no processo que examina o chuncho das construções escolares do governo Beto Richa atacada no front administrativo pelo Tribunal de Contas e no judicial pelo Gaeco. Parece algo fora da sintonia pela tradição de acertos internos. Moderna demais para nossos hábitos. Afinal, no Brasil o mundo real é o federal, não o estadual.
Folclore
A manifestação de domingo não foi o que as oposições esperavam, mas na certa tiveram já na segunda-feira notícias mais quentes do que as do agito popular na condenação do Cerveró a 12 anos e do Fernando Baiano a 16: a delação premiada vale aí mais do que qualquer convicção, o que prova a relatividade das fidelidades políticas e societárias na chamada situação-limite.





