LUIZ GERALDO MAZZA
Agenda negativa
Mal no Enem, péssimo na avaliação das agências de risco, permeável à fraude e à corrupção, o governo paranaense entrou em baixo astral e isso bem antes do massacre dos professores. Antes, ele se valia de indicadores macroeconômicos atribuindo-se a parte maior do trabalho da sociedade, isso surrupiando fatores que nada diziam sobre a sua atuação e habituou-se a fazê-lo como rotina que passou a fazer disso um axioma, verdade inconteste.
A corrupção fiscal, embora bem anterior, mostra a apatia reinante, ausência de governo e de respeito e, aos poucos, outras evidências vão aparecendo como a do chuncho das obras escolares. Tanto num caso como no outro, o governador é flagrado em intimidades, só concedidas a amigos muito especiais, com figuras marcantes dos atos corruptos. Por mais que uma coisa nada tenha a ver com a outra, percebe-se que nas suas relações pessoais há mais do que o escabroso episódio do Ezequias que transformou num símbolo da tolerância com o erro.
Pergunta-se como irá o governo deslanchar a sua agenda positiva com tantos dados sombrios. Esse da queda do investimento fere de morte uma das poucas iniciativas, bem pensadas, com o Paraná Competitivo. Está na hora, aliás, do governador mostrar em que ponto do horizonte estão os tais R$ 20 bilhões comprometidos e tantas vezes referidos com empresas nacionais e estrangeiras.
Num momento de ajuste fiscal, sacrifícios partilhados por todos os segmentos, é o que de pior poderia acontecer. Mas no meio da refrega o governo prensou o Atlético Paranaense e pelo menos nisso mostrou-se aberto à higidez em que pese a história que corre nas redes sociais que a Fomento Paraná tem muita dificuldade para enquadrar um beneficiário de empréstimo de R$ 16 milhões e que teria reformado o papagaio, o que faz lembrar a tradição do Banestado. .
Pedaladas ou truques como o da transferência de capital do fundo de pensão estadual são indicadores claros da desordem fiscal já evidenciada na burla à Lei de Responsabilidade Fiscal com a gastança dos deslumbrados de sempre.
Ofensiva
Enquanto vamos mal assistimos a ofensiva publicitária de Santa Catarina com seus indicadores econômicos e sociais, melhor desempenho em escolaridade e mais elevada taxa de expectativa de vida. Até nas coisas mais singelas nossos vizinhos dão banho, como no caso da presença de quatro clubes no campeonato nacional. Isso não se dá por geração espontânea, mas em decorrência de um ciclo virtuoso de sua economia. Sua malha portuária deixou a nossa para trás desde as patuscadas ideológicas da interdição do produto transgênico.
Planejamento
A décima oitava fase da Lava Jato chegou no Ministério do Planejamento. Não há mais clima para surpresas.
Exame de Ordem
Há muito tempo crescem as reações ao exame de Ordem (OAB) e o parecer do deputado Ricardo Barros na Comissão de Constituição e Justiça agrupa vários projetos legislativos com igual intenção. É tão grande o massacre no número de reprovados que um bom número de bacharéis acalenta a ideia de ver-se livre do filtro.
Nas ruas
Tenta-se recriar o clima psicossocial de 1964 com a batalha das ruas: o desfile chapa branca da margaridas impressionou, mas o de domingo deve ser bem mais forte. Em 64 ao comício das reformas houve a resposta à direita da Marcha com Deus e a Família pela Liberdade. Há nos dísticos atuais semelhanças.
Folclore
José Mugiatti Sobrinho foi pescar lambaris no Rio da Várzea. Perdeu o relógio na água e semanas depois voltou ao pesqueiros: pensou que tinha ferrado um ''cavalo'' e era nada mais do que o relógio que funcionava segundo figuras presentes ao evento.





