STF por dentro
Por mais de uma vez os advogados dos enquadrados na Lava Jato, ainda que tentando dar ao argumento um sentido de novidade, alegaram que o juiz Sérgio Moro estaria ao manter o julgamento de políticos em Curitiba, usurpando atribuições indelegáveis do Supremo Tribunal Federal. Ocorre que a instância máxima do Judiciário, através do ministro Teori Zavaski, é quem se incumbe de homologar delações premiadas e isso está bastante claro e de fazer ainda as triagens nos casos de parlamentares eventualmente referidos.
Como se trata de retórica já aventada anteriormente, agarram-se no tom mais dramático da sustentação, e isso como se tratasse do derradeiro argumento e lhe dão máxima cobertura, como se viu no noticiário de ontem, tentando uma vez mais transferir a órbita dos julgamentos à instância máxima.
Em todas as petições de habeas corpus, e que não lograram qualquer sucesso, suscitaram a preliminar da competência violada e agredida e agora o fazem num tom dramático, como se houvesse um lapso de memória dos julgadores ao deixarem de perceber fator tão relevante. Há um segmento da advocacia que vê nisso uma perspectiva de virada num processo sob fervor da opinião pública e, por isso, mesmo prejudicado por uma mídia opressiva que daria um tom prévio de condenação aos envolvidos.
Sugere-se, inclusive, que esse clima condenatório, já visível no mensalão, aquele alicerçado nas apurações de uma Comissão Parlamentar de Inquérito e que teve o seu tom inaugural na denúncia de Roberto Jefferson abertamente feita contra o mais forte aliado de Lula, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, reproduz-se com novas infrações ao estatuto jurídico. No mensalão o maior feito dos patrocinadores dos acusados viria com a apreciação dos embargos infringentes, já com o processo julgado, mas na perspectiva de reduzir de forma expressiva as condenações, e a linha de argumentação da Odebrecht de agora é apontada como uma espécie de lance final e decisivo, a despeito de ser tão repetitivo.

Notícias boas
Duas notícias boas, uma nacional, outra macrorregional: na estimativa da produção de grãos, o país produzirá na safra 2014/2015 209 milhões de toneladas, numa alta de 8,1% em relação à anterior; e o Sul maravilha registrou a maior alta na demanda por crédito em julho 12,6% maior do que o ano passado, enquanto a média nacional cresceu apenas 7%.
É difícil ligar tais indicadores, mesmo em meio à recessão, a fatores de cunho negativo. Em meio a tantos solavancos, como o da adesão a um pacto com o senador Renan Calheiros, derrotado no primeiro teste, seria uma espécie de Red Bul para a presidente Dilma.

Insistência
O problema da promotora do Gaeco de Londrina, que agora pediu férias, se transformou numa peça para descredenciar a instituição e suas apurações da roubalheira no Fisco estadual e das espalhafatosas intervenções do parente remotíssimo do governador Beto Richa, o Luiz Abi Antoun, bem como as ações de seus amigos de práticas esportivas, o automobilista como um dos chefes da gangue de auditores e o tenista na malandragem das construções escolares. Acham que essas pequenas desatenções do governador são pecados veniais e que essa aproximação não o compromete, mas revela o seu desligamento da realidade.

Folclore
O metrô estaria hoje custando o dobro do orçado anteriormente e com a negativa do Ministério das Cidades para o reajuste pretendido percebe-se que, apesar de tudo, o governo da União é mais inspirado que o municipal. A taxa de retorno que estaria em 6,5% ao ano é agora de 10,5%. Mas Gustavo Fruet continua sugerindo que vai fazer a fonte luminosa pop dos nossos dias, como garante o Scatolin que ainda aposta na fantasia.

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