A falta grave
É claro que a falta da promotora do Gaeco, em crime de trânsito, agravado com informe de que estaria alcoolizada, é gravíssima e merece exemplar punição. Tanto que no caso dela até o procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacoia, pediu que um colega, Cláudio Esteves, a acompanhasse à delegacia. Mas as proximidades do governador Beto Richa com gente fortemente envolvida nas apurações da ''Publicano'', como o eminência parda e parente cada vez mais distante, Luiz Abi, e mais o hierarca fiscal que com ele dividia exibições de automobilismo e aquele outro, enrolado no caso das obras inconclusas da educação, seu parceiro de jogos de tênis, embora não constitua crime essa aliança no lazer, como não é do cinegrafista Caramori que se tatuou com a imagem do seu líder, é por acaso distorção menos grave do que a da promotora?
Aquela foi irresponsável e, notoriamente, desatenta e ele, o governador, um desligado em suas mais apegadas distrações, distantes, mas não muito das coisas de Estado em que a sua representação vai além da de motorista ou tenista ocasional nos momentos de folga.
Há, aliás, um empenho enorme na divulgação do fato, e isso se nota nas redes sociais, como se isso retirasse eficácia das ações do Gaeco pelo ato irrefletido da sua promotora. Esse jogo de espelhos, safadíssimo, é típico do raciocínio político no nível primitivo como aqui é praticado.

Consórcios
Gustavo Fruet não é muito severo com consórcios metropolitanos: o do lixo, dos mais relevantes, não é acionado; o do transporte coletivo ele rompeu, mas agora quer o ingresso de Curitiba no intermunicipal da informática que abrange mais de 200 municípios e que visa o acesso a tecnologias não disponíveis na capitania hereditária do Instituto Curitiba de Informática (ICI), herança de seu antecessor, Cassio Taniguchi.
A manobra tem todo jeito de uma emulação político-administrativa com o ICI já evidenciada em atritos até judiciais em torno da negação de dados por aquela instituição privada. Politicamente na primeira votação a matéria passou por 27 votos a seis. Alegou-se, em oposição, que se tratava de uma carta branca essa concessão à prefeitura quando o absurdo maior é o predomínio de instituição privada em área tão estratégica, na qual o leigo é o município.

Caiu
Não poderia dar outra coisa diante do quadro recessivo: nem o apelo sentimental da propaganda foi suficiente para segurar a queda de movimento na semana que antecede a celebração do Dia dos Pais em pelo menos 11%. Como a crise é abrangente, torna-se um exercício de acacianismo descobrir que cai a produção industrial e a venda de automóveis e imóveis, ainda que em números não perturbadores, dada a dimensão do cenário econômico. Isso, no entanto, não justifica a negativa da senadora Gleisi Hoffmann de que o movimento de crianças em mês de férias e em pacotes parcelados no Beto Carrero, em Santa Catarina, provaria que a crise está mais na tevê e nos jornais do que na realidade. Tão irreal quanto os nossos administradores municipais insistirem no metrô. A não ser que Fruet pretenda, à moda de Franklin Delano Roossevelt ao enfrentar o cracking da Bolsa em 1930, fazer uma espécie de ''New Deal'' com saques como esse e aquele outro da montagem de um Centro Cívico municipal na Vila Capanema e mais ainda a construção do novo estádio do Paraná Clube. Dinheiro curto, escassez de obras, imaginação larga. Que nem Beto Richa vai prometer para o novo mandato tudo aquilo que deveria sair no primeiro.

Grana
Chegou o maná bíblico federal, R$ 36 milhões, do Ministério da Integração Nacional para atender os flagelos recentes dos vendavais e enxurradas.

Folclore
Outro lado interessante da Lava Jato é o cultural: novas obras de arte, apanhadas com os fraudadores da Petrobras, ficarão expostas no Museu Oscar Niemeyer. Um certo refinamento de gosto derruba a interpretação de que alguns deles adquiriam as telas por metro de parede ocupado.

mockup