Sinais vitais
Pelo jeito o governo despertou da quase catalepsia que o atacara: há sinais vitais visíveis desde o protagonismo assumido no encontro com a presidente Dilma Rousseff em que falou pelos colegas tucanos. E ontem na reunião do secretariado já se tentava recriar o triunfalismo dos anos anteriores, como se tudo estivesse numa boa e com o espírito menos disposto a saber de novas ações do Tribunal de Contas contra empresas na área da educação que receberam mais de 80% do contratado quando haviam construído menos de 15%, um descompasso evidente de falta de monitoramento do que ocorre na administração estadual.
Não há perspectiva de curto e médio prazos que indique mudança comportamental nessas questões, como as havidas na Segurança (a história da mansão invadida, ainda do primeiro mandato, persiste para evidenciar o divisionismo interno) e no núcleo fazendário com revelações da Operação Publicano do Gaeco e que correm, como sempre, o risco de se frustrarem já evidenciados em medidas judiciais concedidas em favor dos acusados. De qualquer forma, algumas referências a sinais de reversão no ajuste fiscal marcaram o ponto mais significativo do encontro, destacando o quanto as medidas de arrocho contribuirão para clarear o quadro financeiro. A perspectiva de que aos poucos se retomará a capacidade de investimento público quase zerada no primeiro quadrimestre deste ano, já sinalizada, foi um dos destaques postos em relevo.
Ainda cambaleante, mas com sinais vitais em recuperação, o governo desperta e isso é bom para todos, inclusive para falar mal dele pois ao menos recupera sua capacidade de iniciativa. Um dos pontos anteriormente destacados era o do Paraná Competitivo com fechamento de protocolos de intenções de empresas nacionais e internacionais, hoje bastante atingido pelo quadro recessivo, mas que a qualquer momento pode ser retomado.

Ofensiva
Quem está em franca ofensiva, com belas peças institucionais, para habilitar-se a investimentos, e isso em escala nacional, é o governo de Santa Catarina. Nos tempos em que tínhamos administração (fase que precede aos governos do PMDB e PSDB, sua versão encabulada) e com obras de infraestrutura que uniram o Estado, tomávamos esse tipo de iniciativa com máxima naturalidade. O vizinho se vale dos seus indicadores econômicos e sociais, os melhores do país como se estivesse vacinado contra a opressão recessiva. Em alguns pontos estamos bem próximos deles notadamente nos sociais (escolaridade, expectativa de vida e mortalidade infantil) e não tão distanciados nos econômicos, mas não está fácil vencer a descrença e a sensação de modorra que nos atingem.

Enem
O referencial de avaliação do Enem não favorece o Paraná, como estamos sempre a proclamar, principalmente o de natureza pública. No mais recente, uma organização privada, o Dom Bosco, aparece na melhor classificação, o 53º lugar, o Positivo em 58º, Técnica da Federal e Colégio Militar evidenciados. Para se ter uma ideia do desempenho da escola pública, a mais significativa de todas, o Colégio Estadual do Paraná aparece lá pelos mais de 3.600, o que não dá para repetir, como no passado, que tem o mesmo padrão do D.Pedro 2º, nosso orgulho dos anos 40, século passado, quando lá estive.
Mas em greve, certamente, ninguém nos suplanta. E depois vem a atoarda, mais ideológica que técnica, da escola pública ''gratuita e de qualidade'' que não dá mais para suportar como refrão inútil e irônico.

Folclore
Há saques, frases, que se transformam em axioma e em dogma. Lerner disse que viadutos são apenas a antecipação do próximo engarrafamento e isso virou uma ideologia no Ippuc e áreas de engenharia da capital. O Legislativo estadual vai fazer, depois de 20 anos, um concurso público que era tido como inútil porque o buda Anibal Curi dizia que nele só passavam japoneses e comunistas.

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