LUIZ GERALDO MAZZA
Ambiente magnético
A prisão de José Dirceu acirra o clima político do país que parece ocorrer à margem da conjuntura econômica, conquanto lhe agrave a dimensão, posto que dê a impressão que não se ligam um ao outro. Na cabeça do público, o impeachment de Dilma Rousseff ou mais prisões de empresários e operadores do lulopetismo parecem soluções, dado o passionalismo dos julgamentos. Se tal ocorresse, como já se dá com a prisão do principal aliado de Lula, teríamos apenas descompressão para nutrir o interesse de alguns sem que tivéssemos dado qualquer passo na direção de uma solução para nossas aflitivas urgências.
Para a sociedade, o fluir da Lava Jato é avanço de traço civilizatório, o que não se pode dizer em momento algum das ações desencadeadas pelos presidentes da Câmara e do Senado voltadas para uma pauta de agressões à Presidência da República em nome de uma farisaica afirmação de independência de poderes, como se assoalha por aí.
O desarranjo institucional é visível e simplesmente expressa o alheamento desses atores da ribalta política quanto ao quadro das urgências nacionais. Como estão listados entre denunciados, esse protagonismo se volta igualmente para o objetivo de alcançar o processo judicial ou ao menos desfigurá-lo.
De qualquer modo, esse conflito - com o emprego de meios pouco ortodoxos - apenas confere medida mais profunda ao momento brasileiro. Nele, o Judiciário está se saindo melhor porque mais ligado em sua missão e o Executivo se vê cada vez mais mergulhado na anomia.
Novo impasse
A forma como o governo conduz o projeto das eleições escolares tende a um novo impasse: o professorado se queixa de que não foi ouvido e obviamente vai querer participar do processo, como é sua obrigação. As eleições vieram como um impulso natural da redemocratização, mas até hoje não se fez uma análise se seus efeitos melhoraram a gestão e o desempenho escolar. Nas universidades apenas acelerou o ingresso do baixo clero e do assembleísmo primário e não consta que no ensino médio tenha redundado em ganhos na avaliação do Enem. Ao contrário, erigiram-se os preconceitos contra a meritocracia e na eleição mais vale as ações de proselitismo na discurseira e na distribuição de volantes do que o valor do mestre qualificado, os mais sérios, aliás, impermeáveis a acenos.
Não se abrindo ao diálogo ou o governo deseja o confronto ou pretende com isso livrar-se da condenação do massacre, o que opera em sinal contrário, já que há de tudo para novos e profundos desgastes.
Saúde
Não se limitam ao município de Ibema as irregularidades em contratos na área de saúde e comercialização de remédios com prazo de validade vencidos. Várias cidades do Oeste, pelo menos 21, são alvo de pesada investigação do Gaeco.
TV pública
O projeto de TV pública da Assembleia foi sensivelmente prejudicado quando os deputados forçaram para tirar o seu peso artístico dos tempos da Sinal para o predomínio do proselitismo imediatista parlamentar. Agora, mudou de nome para TV Assembleia quando já tinha perdido toda a qualidade anterior. Se o senso de transparência for o do imediatismo de sempre, continuará uma comunicação opaca. Dá, claramente, para imaginar como ela se referiria ao massacre de 29 de abril.
E, é claro, ocultaria a cena dos parlamentares no camburão como se estivessem no sofá do psicanalista ou no confessionário da igreja.
Interdição
O Ministério Público está pedindo o bloqueio no Contorno Norte do acesso a Butiatuvinha que teria causado, nos últimos anos, a morte de 50 pessoas.
Folclore
Uma das questões entre ''revolucionários'' é a da resistência não apenas à tortura, mas igualmente à delação. Era. Como desvirtuaram a missão ao da ocupação do aparelho de Estado partirem para o saque descobrem que dedar, mesmo não sendo uma virtude, é pelo menos mais confortável e oferece mais garantias do que as de um advogado genial na redução das penas.





