LUIZ GERALDO MAZZA
O premier estava lá
Na 17ª etapa da Lava Jato eis que enquadrado José Dirceu, o primeiro ministro de Lula, descobre-se que mesmo preso pelas façanhas do mensalão recebia grana de suas consultorias e, além disso, era operador do propinoduto do petrolão.
Para os adversários das providências judiciais e que tudo apostavam agora na convocação da advogada Beatriz Catta Preta, o impacto da prisão do homem-chave do governo Lula além de neutralizar tais efeitos, já abalados com a denúncia de que ela estava sendo ameaçada pela CPI, vão enfrentar um desmembramento mais terrível ainda na quase acertada delação premiada do Renato Duque que, depois de resistir o quanto pôde, chegou à conclusão de que o melhor é abrir-se para desfrutar das vantagens decorrentes da redução da pena.
Com isso, fica demonstrado, especialmente em referência a José Dirceu, que a prisão não é suficiente para conter o agente, já que continuou percebendo por suas consultorias e, ainda por cima, não era um espectador do que ocorria, mas sim um categorizado operador, conforme o relato da Polícia Federal. Prisões prolongadas, alvo de tantas restrições de doutrinadores criminalistas, se revelam indispensáveis ao bom êxito da Lava Jato e mostram que mesmo aprisionado, dependendo do peso e do talento do acusado, ainda assim pode agir até com alguma desenvoltura.
No jogo de peteca entre a Lava Jato e a CPI da Petrobras acreditou-se numa fantasia - a de que a convocação de Beatriz Catta Preta para desvelar seus nove contratos de delação premiada botaria em risco o processo judicial, como sempre foi a intenção dos políticos, ''melando-o'' o que sabidamente não se deu, ainda que revelando a agudeza das intenções de parlamentares que seguem (e não são poucos) a orientação do presidente da Câmara Baixa, Eduardo Cunha. Todas as provocações estão sendo respondidas em desforço incontinenti com a rapidez imposta pelas circunstâncias, o que mantém a esperança de que isso pode lavar o país, saneá-lo de vez e que esteve prestes a ocorrer no mensalão e também na queda de Collor, nos anões do orçamento, na derrubada da CPMF, raros casos em que essa perspectiva foi ativada.
MST
Uma figura exponencial da esquerda brasileira, Ignácio Rangel, profetizou que a chegada, ainda que tardia, do capitalismo no campo significou a perda do bonde da história para a reforma agrária. A modernização veio para valer com relações de trabalho maduras, expungidas as supervivências do colonato: aquilo que apavorou o ''status quo'' em 1964 quando João Goulart numa tacada reconheceu milhares de sindicatos de trabalhadores rurais o que soava para terratenientes o mesmo que a abolição significou para a escravidão foi um desses avanços. Ganhos em tecnologia e produtividade, superando indicadores de países mais fortes, foram fatores da abertura que tomou conta da agropecuária moderna e avançada, alicerçada ainda por um cooperativismo agregador.
Manifestações de ontem do MST - invasão da Receita Federal com centenas de ocupantes e a liberação de seis praças de pedágio por 1.600 alinhados - marcam protesto contra a redução de 50% do orçamento da reforma agrária, imposto pelas contingências recessivas. O movimento não tem a vitalidade hoje dos tempos em que foi criado no Paraná e perde cada vez mais prosélitos até em função da bolsa família, isso sem falar em suas prioridades políticas. De outro lado poucos dos seus assentamentos vão bem, isso é provam que essa modalidade reformista, ainda que com um tom revolucionário, funciona, em que pese todo apoio governamental e de ONGs.
Bancários
A compra do HSBC e dos seus ativos no Brasil pelo Bradesco é no momento uma preocupação não apenas do sindicato dos trabalhadores, mas também de políticos temerosos dos efeitos perversos dessa operação no mercado. A elite sindical faz uma reunião com a cúpula do Bradesco no sentido de haver menos padecimento aos trabalhadores pelo descarte inevitável.





