Marcha obstinada
Há em curso, às vezes de forma aberta, às vezes dissimulada, uma cruzada para ferir de morte a Lava Jato e com isso, em nome dos interesses até da soberania nacional, acertar acordos de leniência com empreiteiras que com a passagem do tempo, mais a doutrinação dos ''companheiros'', transformará réus em guerrilheiros, já que alguns, há muito tempo, posavam de tal característica, ainda que postos a nu no andamento do mensalão. Não será, certamente, a vez primeira que se verá um Chê Guevara num mandrião.
Um dos absurdos é a hipótese de haver um movimento contra as formas de delação premiada que se constituem na viga mestra da acusação contra a rapina da Petrobras e de outras empresas que acabarão como o setor nucleoenergético envolvidas, documentalmente, na trama. Ora a inovação, assinada pela presidente Dilma Rousseff (e suavemente esquecida), acompanha experiências de outros países, inclusive da Itália e que acertou em cheio a máfia, ainda que com o sacrifício, por atentados e mortes, de promotores e juízes, no curso do Mãos Limpas. Que ela dificulta a ação dos advogados, por mais habilitados que sejam, é inegável, todavia é preciso considerar que só quando ratificadas por matéria probatória, documental, como vem se dando nas várias etapas da Lava Jato, é que tornam formalmente legal a denúncia.
A delação premiada é quase como uma afirmação ''in extremis'' na hora da morte, razão pela qual exige redobrado interesse de perícia e pesquisa que a ratifiquem pela contundência do testemunho e sua urgência como redutor de pena, tratando-se, portanto, de um desafio à advocacia por sua especificidade técnica e doutrinária como um libelo reforçado e no caso atual com inegável apoio da opinião pública que nele vê uma perspectiva de sanear o Brasil, um passo adiante ao que foi obtido com o mensalão que, sem delação, também deixou em situação constrangedora a advocacia dos acusados, dentre eles o paradigma reverencial de Marcio Thomaz Bastos. A advocacia criminal está desafiada em seu talento e criatividade, mas não em garrote que extinga a novidade, o que seria uma deserção.

Juiz único
À primeira investida do Gaeco, o Tribunal de Justiça não concordou em ceder a um juiz específico, especializado portanto, para acompanhar os desdobramentos da Publicano. Agora a decisão foi tomada centralizando o processo na vara criminal em Londrina. Também foram denunciados judicialmente os primeiros indiciados.

Delação
Há 22 delações premiadas no disparo, 20 já homologadas. Pelo jeito, a prisão é mais do que pedagógica quem sabe até para a expiação moral dos delitos. Não se trata do ''arrependimento eficaz'' na interrupção de um crime, mas de algo que tem a sua dosimetria para fixar a redução das penas. O Mario Góes, por exemplo, sai da penita, como diz o Chaim, para a prisão domiciliar.

Enrolando
As denúncias gravíssimas contra a falta de cuidados com esgotos por parte da Sanepar deu margem até a pronunciamento da Advocacia Geral da União. Visível é que a empresa não dá aos esgotos, embora cobre a taxa, a atenção dispensada à água. Fala-se numa dívida de meio bilhão de reais que teria com órgãos ambientais em função de 16 ações civis públicas. É a alentada denúncia (entre Ibama e Ministério Público) contra aquela que neste ano já aumentou as tarifas três vezes e em nível bem maior do que o da inflação acumulada.

Folclore
Cândido Gomes Chagas, que nos deixou, faz falta: o Coritiba não estaria nessa moleza se ele ainda fosse conselheiro; foi quem mais pegou no pé de Lerner e detonou a praia que Cecílio Rego Almeida, com apoio de magistrados, montava lá em Guaratuba. É autor de outra façanha: mudar o nome do Estádio Belfort Duarte para Couto Pereira. Um guerreiro que faz falta.

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