Secretaria abagunçada
Quem está só agora tomando consciência da espinhosa missão que recebeu é Mauro Ricardo Costa, o tzar fazendário, ao perceber o cenário de fim de feira da pasta não apenas pelas consequências da Operação Publicano (um furo de no mínimo R$ 49 milhões só em Londrina) mais o enquadramento criminal de parte da hierarquia fiscal e, ainda por cima, o resultado de uma auditoria do Tribunal de Contas a revelar deficiências do setor de informática visível no fato de que não há sequer o registro de movimentação fiscal relativo a janeiro do ano passado.
Um setor-chave, estratégico, bagunçado é algo que deve se repetir em outras dependências públicas e que explicam a sua vulnerabilidade à corrupção, como se deu na área da educação mais Fundepar no caso das construções não finalizadas e, muitas vezes, pagas por serviços não realizados. É o governo da farolagem marqueteira, desconexo e caótico e que sempre exibiu na mídia saúde de vaca premiada e, na realidade, leva todo jeito de matungo.
Antes do time do PMDB e PSBD, que não passa de um PMDB encabulado, assumir o governo estadual tínhamos um modelo de gestão financeira que operava em sincronia com a área de Planejamento, hoje opaca e sem expressão, e o regime do improviso é de tal sorte que na gestão de Jaime Lerner o secretário da Fazenda acumulava a presidência da Copel, daí casos até hoje não explicitados como os da recuperação de créditos da Olvepar, empresa quebrada, em conjunto com a joia da coroa, assunto em que o Youssef estava envolvido como também se dera com o AMA-Comurb de Londrina e mais a CC5 do Banestado.
Trata-se de um organismo doente e, pior do que isso, acomodado com as suas deficiências como se fossem naturais e não distorções gravíssimas a evidenciar patologias endêmicas. Mauro Ricardo Costa não é apenas um supersecretário, como se tem dito, sem exagero: à proporção que as deficiências afloram, como se vê na sequência, percebe-se que sua atuação vai muito além de calafetar o barco, mas até de reconstruí-lo.

Memória imediata
O professorado saiu de novo às ruas para comemorar os três meses do massacre do Centro Cívico juntamente com os 50 anos do governador Beto Richa: os grupos fragmentários se dividiram em várias cidades e não esqueceram do café com bolo na frente da casa de sua excelência e, à tarde no culto da memória do tratoraço fascista, exibiram no centro da capital alusões aos feridos, às balas de borracha, às bombas de efeito moral, à mobilização bélica enfim.
Como tivemos o ''Tortura nunca mais'', vale uma referência constante a esse acontecimento, o do massacre, para que não se repita. Áulicos acharam muito grosseira a forma de tisnar o aniversário de Beto Richa, afinal aquele que teve a maior vitória eleitoral de nossa história.

Tarifa técnica
Tanto a Urbs como o prefeito Gustavo Fruet admitem que a tarifa técnica dos ônibus está defasada, prova de que não haverá muita resistência oficial e vem mais uma paulada em cima do povo. Só evitarão que isso alimente o agito de 16 de agosto. Sinais de alta estão aí nas mobilizações de trabalhadores da Urbs e também de cobradores e motoristas, como tem acontecido ante o atraso de pagamento de vantagens e adiantamentos.

Interdição
Ministério Público do Trabalho pediu, em Maringá, interdição do minipresídio. E sindicalistas em Londrina prometem pleitear o mesmo em distritos policiais superlotados e que deram margem à fuga de domingo. Aí também o caos que não se resolve com a passagem do Depen para a Secretaria de Segurança.

Folclore
Quando Lerner criou as vilas rurais com o propósito de organizar boias-frias em núcleos de subsistência eram comuns as viagens a cada uma das que iam sendo construídas. E assim aconteceu com a de Pitanga expressa no discurso comovido do seu prefeito: ''Estivemos, governador, juntos na semeadura e é justo que agora façamos festa na colhedura''.

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