Decifrar é preciso
Uma das armas quando a causa está perdida é fazer humor, como se deu com os advogados das empreiteiras negando-se a decifrar os códigos detectados no celular do chefão da Odebrecht. O escapismo foi traduzido em sacadas pouco sutis sem o talento do Leônidas que nas Termópilas ao ser avisado que as setas do inimigo eram tantas que tapariam o sol respondeu: "Melhor, combateremos à sombra!''. Acusaram o magistrado Sérgio Moro de negar-se a ouvi-los, de fazer ''ouvidos de mercador''. Até a metáfora é infeliz porque os mercadores estão justamente do outro lado, como todos estão fartos de saber, e que mercado!
Esperava-se uma contraofensiva dos advogados, hoje em ação coordenada ao lado de setores da OAB no empenho em desqualificar a constitucionalidade e a notória legalidade da Lava Jato, isso sem falar na arregimentação política tal qual se viu na reação da presidente Dilma Rousseff que declarou que esse processo teria custado no mínimo 1% do Produto Interno Bruto, como a repetir o mito clássico de que devora os que tentam decifrá-la.
Mas não devoraram e a Lava Jato se fez presente na sua 16ª etapa ainda ontem, como certamente virão outras, agora enquadrando a presidência da Eletronuclear e o executivo da Andrade Gutierrez que operava no setor, o que ganhou destaque nacional, revelando que a disposição investigativa, e mais do que isso denunciadora, não para e traz novos capítulos da novela mórbida que penetra fundo os tentáculos da corrupção.
É mais uma chance de passar o Brasil a limpo, todavia não se pode subestimar as forças que se mobilizam em sentido contrário e empenhadas, a qualquer descuido ou nulidade, melar tudo para quem sabe acomodar aquele outro esforço, desenvolvido em paralelo, para acordos de leniência e salvar o PIB, cada vez mais anêmico e com sinais precários de vitalidade. No passado a peça sagrada era a segurança nacional, que estava expressa na antilei; agora a economia nacional é que corre risco na penalização das maroteiras. Puni-las seria o mal maior, livrá-las o mal menor no sentido que lhe atribuiu São Tomaz de Aquino.

Festerê
A APP-Sindicato não deixa por menos e celebra hoje natalício de Beto Richa no seu 50º aniversário, terceiro mês do massacre do Centro Cívico que, por sinal, brecou na Justiça, uma vez que o juiz acionado declarou-se incompetente com o que o processo deve se deslocar para a 5ª Vara da Fazenda Pública em que o governador, seu secretário de Segurança da época, mais os comandantes das polícias militar e civil são acusados de improbidade administrativa. Haverá comemoração com bolo - esse o tom bem humorado - no Centro Cívico e diante da residência do governador.

Especulação
Embora haja sinais visíveis de distanciamento entre Gustavo Fruet e o PT, isso não teria pesado na saída do seu secretario de Saúde, Adriano Massuda, nomeado para a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Anteontem, por causa da greve da Urbs, deixou de comparecer ao evento que homenageou a personalidade Aecic do ano e foi representado pela vice, a petista Mirian Gonçalves, que teve o constrangimento de ouvir gritos do empresariado ''fora PT''.

Hélio Teixeira
Uma das passagens do jornalista Hélio Teixeira, morto no fim de semana, foi nesta FOLHA onde esbanjou sua energia e capacidade criadora antes de revelar-se uma figura nacional e até internacional. Atleticano doente, em 1970, arrendou avião que o transportou de Paranaguá a Londrina, onde o rubro-negro abateu o Seleto, na conquista do campeonato estadual para preparar a edição especial documentando o feito no caderno esportivo que saía às segundas. De lá, veio no mesmo avião a Curitiba e soltou a edição que vendeu mais de oito mil exemplares, o recorde absoluto até agora. Nem o furo deste jornal da renúncia de Haroldo Leon Perez, bloqueada em parte pela Polícia Federal, obteve tal feito.

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