O Estado-Albergue
Uma das consequências da nossa pobreza e do populismo é a tendência de querer implantar por aqui uma espécie de Estado-Albergue visível em iniciativas como a da bolsa família, imaginada como estímulo a manter crianças na escola e logo deturpada pela ampliação sem limite da clientela.
Agora, pintou no pedaço e fortemente apoiado por movimentos basistas o aluguel social já implantado na capital, conquanto tenha 120 dias para entrar em vigor e que concede a cada família atendida um salário mínimo. Claro que se estabelecerá formas de triagem para impedir a ''universalização'' do benefício que criaria novos problemas ao caixa estourado da prefeitura. Uma delas é a de que os que estão há mais de um ano na fila da Cohab para obter moradia seriam beneficiários, o que é contingente respeitável, já que são dezenas de milhares,
As pressões de ''sem teto'', ainda ontem perceptíveis em área invadida e que está destinada a aterro sanitário e que os manifestantes tentam impedir o respectivo leilão, persistem e geraram background de apoio à proposta acertada pelo conjunto de vereadores em substitutivo. Ficou assentado que na semana que vem o aluguel social vira lei amparando os que estão em área de risco, vítimas de calamidades e catástrofes, em lugares em que haja obras de infraestrutura e em situação de despejo. Um filtro que abrirá perspectiva, como já ocorre na política habitacional, para os menos iguais como se dá por tradição e é claro espaço para o exercício do clientelismo.

Sufoco
Se há um referencial que exige a reinterpretação do pedágio, esse é o da BR-277 em Campo Largo. Ali não se pode usar o chavão de que os transtornos serão passageiros e os benefícios permanentes. É que as obras persistem inacabadas há anos e a tal duplicação na verdade não garantiu fluidez ao tráfego. Ontem o drama na região era intolerável.

Ameaça
Na praça Rui Barbosa, centro da capital, uma ameaça de bomba em edifício onde funciona uma agência da Caixa Econômica Federal exigiu o isolamento de toda a região. Era ''frio'', mas assustou e a equipe especializada testou um robô.

Prazo
O juiz Sérgio Moro deu mais prazo à Odebrecht para a ''decodificação'' dos indicadores do celular dos quais a Polícia Federal suspeita. Uma certa dose até de paranoia é compreensível pelo clima criado e o possível exercício de malícia para destruir provas e dificultar investigações. De uma coisa se pode estar certo: nesse conflito não há ingênuos nem amadores.

Novidade
O estado patrimonialista e gastador só não sabe, como se viu anteontem, conviver com a arrecadação em baixa, como se dá agora na recessão, e quando está em alta arruma pretextos para não fazer a reforma tributária para não perder vantagens acumuladas .

Mais de 10%
A inflação dos 12 meses em Curitiba já passa de 10%. Nos contratos coletivos de trabalho essa condição atípica será reivindicada obviamente pelas categorias profissionais.

Terror
Publicação internacional especializada em economia trata a situação nossa, a brasileira, por suas variáveis, inclusive na revisão de cálculos como os de anteontem, como de puro terror.
Anos passados aprendemos a conviver com a inflação e, agora, ela voltou e pelo jeito perdemos o ''know how'' para enfrentá-la.

Folclore
O alude fecal que atingiu o Xaxim virou, depois da tragédia, motivo de piada: dizia-se que nem a Sanepar contratando os serviços do Boticário safaria a região das pestilências. Houve também quem defendesse a tese de que saneamento deveria ser entregue à iniciativa das privadas, trocadilho de mau gosto.

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