Turbulência inevitável
Manifestar-se contra obstáculos ao exercício integral da defesa é o que se espera da Ordem dos Advogados do Brasil e isso como obrigação permanente. O que não pode é instrumentá-la na perspectiva de que a Lava Jato é um mal por supostas infrações sistemáticas aos rituais jurídicos e não oportunidade rara (ao lado do mensalão, queda de Collor, anões do orçamento, fim da CPMF) pelo fato de criar condições para alcançar figuras exponenciais da oligarquia nativa, o que normalmente por aqui é uma impossibilidade pela armadura medieval que os protege, inclusive no front das leis.
Há uma dificuldade, especialmente, entre os criminalistas, mesmo aqueles mais notáveis, para assimilar novidades como a delação premiada e, mais do que isso, a denúncia bem montada e centrada no apoio da opinião pública como se viu no mensalão, acoplado a uma CPI de verdade. Há uma pertinência na analogia com a ''mãos limpas'' da Itália: só que lá não houve caneladas como essas retaliações dos presidentes da Câmara e do Senado, que se empenham em constranger o Executivo e, por essa via, ''melar'' o processo, mas atentados e mortes de juízes e promotores, já que além da máfia havia a atuação da ''brigada vermelha'' na prática do terrorismo.
Desde muito tempo há uma cruzada de setores da inteligentzia tupiniquim para caricaturar e até desqualificar o processo que deixou as vísceras da Petrobras e de outras instituições à mostra. No material colhido do celular da Odebrecht há alusão à dissidência na Polícia Federal, que realmente existe, e a uma suposta postura da OAB como fator de resistência, o que é sua missão na sustentação do contraditório e do amplo exercício da defesa, o que não não se confunde com intolerância como aquela, adotada por uma seccional, que negou registro de advogado ao ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, com as características de revide pelo papel que desempenhara em sua histórica missão.
A rigor esse esforço paralelo para minar a ação da justiça tem um lado bom: avalia seus eventuais e possíveis defeitos e testa, na evidência do choque, a força da instituição. Essa resistência era esperada, mormente quando a classe política e sócios do mundo empresarial aparecem como visados,

Demissões
À exceção de Marcelo Odebrecht, todos os demais executivos da empresa apanhados na Lava Jato foram demitidos como se a organização estivesse cumprindo dispositivos de código deontológico interno. Aliás, o pedido de demissão foi voluntário e se seguiu ao afastamento.

No ventilador
Uma explosão, muito parecida com a havida no Rio anos passados num bueiro, em galeria da rede de esgoto no Xaxim levou o pânico à população. Como se vê, o fato é que com a água não há nada anômalo, mas a Sanepar é processada por lançar esgotos crus na bacia hidrográfica do Iguaçu. Como se vê, a parte relativa ao esgoto continua devendo e agora mostrando sua força para o desespero da vizinhança com o alude fecal ali no encontro da Derosso com a Valdemar Loureiro de Campos.

Legislador
Todos acordam que Gustavo Fruet (o último grande nome parlamentar) é mais legislador do que executivo. Das 223 proposições acumuladas na Câmara, atual legislatura, nada menos de 41 são do prefeito, mestre Galdino em segundo e o Cicarelli em terceiro. Nessa amostragem é fácil levar o ouro: dá-lhe, Fruet.

Sigilo
Nos casos da Lava Jato, na Publicano e na Quadro Negro sai o nome de todo o mundo envolvido. Do incidente entre procuradores de Justiça e jovens num Karaoquê de madrugada, no São Francisco da capital, tudo persiste sob sigilo, embora a Procuradoria Geral da Justiça tenha feito o enquadramento disciplinar dos envolvidos.

Folclore
Para os atingidos pela Lava Jato, tanto juiz como delegados e procuradores são essencialmente uns chatos e tanto que deram o nome da operação para desmontar tudo de ''lava chato''.

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