Enfim, a agenda
Com o enquadramento e a prisão de pessoas envolvidas no escândalo das construções escolares, o governador Beto Richa entra para valer na agenda positiva. Não importa se tenha partido dele ou não a adoção das medidas junto à Procuradoria Geral do Estado e que possibilitaram o maior esclarecimento, através de inquérito administrativo, e cederam os fundamentos para as prisões que marcam um ato de resistência, ainda que tardio, aos abusos de faturamento em obras inconclusas.
É claro que a área de segurança, pela delegacia especializada, entrou em campo para cumprir suas funções judiciárias. Várias instituições, portanto, atuaram no episódio. E concede-se no trabalho coletivo o mérito específico que tem o governador no processo porque tudo é feito, presumivelmente, por sua orientação superior ou em seu nome.
Como o fato veio bem depois da Operação Publicano do Gaeco em cima do arrastão fiscal, é indispensável que também aí se faça presente o governo no melhor detalhamento do alcance porque não basta mostrar frustração com a precariedade do arsenal punitivo como foi feito com nova lei que, obviamente, não alcançará os infratores de agora, mas apenas os do futuro. Todavia, se houver punição exemplar agora com empenho para fazer os dilapidadores do erário devolveram o que afanaram será, certamente, um referencial, mesmo com legislação vulnerável, para não haver reincidência.
Um discurso forte contra a corrupção, acompanhado das providências tomadas, gerará certamente uma identificação do secretariado e dos vários estafes nesse objetivo, relevantíssimo para ficar simétrico ao lado bom dos momentos vividos pela sociedade brasileira em função da Lava Jato. Num país que anda acomodado com a fraude em nome de um pragmatismo revoltante, como esse da busca ardente de leniência para os empreiteiros apanhados com a mão no jarro, é sinal de liderança forte, ousada e disposta a romper com a pasmaceira.

Visibilidade
Queixa-se o prefeito Gustavo Fruet de falta de visibilidade de suas ações em entrevista recente para justificar sua baixa credibilidade. Recorre à forma primária de escapismo tentando atribuir à área de comunicação esse deficit como os dirigentes de futebol fazem com os técnicos. Ora é visível suas deficiências em obras paradas no setor social em escolas, creches e unidades de pronto atendimento de saúde. E mais ainda na inadimplência, sempre suscitada, na área do transporte sob a acusação de não fazer repasses às empresas no tempo certo. O sindicato de motoristas e cobradores entrou com ação por danos morais coletivos pela não recepção do vale no dia 20. Afora tudo isso, rompeu a integração do sistema metropolitano que vai afetar ainda mais a operação com a nova bilhetagem eletrônica da Comec.

Decibéis
Fim da semana passada no Parque Barigui, na capital, a Polícia Militar apreendeu nove carros e aplicou 54 multas por som alto.

Celular
No celular do presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia, a Polícia Federal captou várias mensagens, algumas em código, e uma relação dos fatores que poderiam vir na defesa dos seus interesses aí citados a dissidência da PF (aquela que criou o problema da gravação na cela de Youssef) e a OAB que, por sinal, condenou o bloqueio à advogada da empresa por dever prestar depoimento sobre a ordem de destruição de e-mails sobre as sondas.

Folclore
O delegado Pedro Darci de Souza, o Mamão, criou uma forma de agir que tinha muito de arbítrio e outro tanto de graça. A guarda civil surpreendeu um oficial da aeronáutica transando num banco da Praça Osório e advertido acabou respondendo que era ''imprendível''. Mamão estava no plantão e foi tratar da ocorrência com o oficial insistindo que era militar e que não podia ser preso por civis. Mamão pediu-lhe a identidade: teve dificuldade para a leitura e acendeu fósforo para enxergar melhor e a queimou. Em seguida, declarou: ''Pau nele que acaba de pedir baixa''.

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