LUIZ GERALDO MAZZA
Vantagem da delação
Ontem foram condenados os primeiros empreiteiros da Lava Jato, os da Camargo Corrêa, seus presidente e vice, a 15 anos de prisão. Em função do acordo, terão suas penas reduzidas, o que comprova a eficácia operacional do sistema que torna os criminalistas desnorteados e sem a segurança costumeira. É evidente que já no mensalão ficou demonstrado que, mesmo sem delação premiada e com amplo libelo acusatório tanto no processo judicial como numa CPI mais aberta, dá para quebrar a tal invencibilidade de advogados famosos como Marcio Thomaz Bastos.
É evidente que o cárcere prolongado e a evidência da documentação levantada minam a resistência dos réus que para alguns juristas, Celso Bandeira de Melo dentre eles, seria uma forma de tortura para quem se habituou ao conforto e ao sossego da sacra privata. Dentro em pouco sai o movimento da delação premiada nunca mais na hipótese de prosperar a reação contra a inflexibilidade do juiz Sérgio Moro e dos delegados e procuradores de Justiça que o respaldam.
Um Ricardo Pessoa, por exemplo, levou bastante tempo para convencer-se de que o melhor seria a delação na condição justamente de quem comandou o clube, na verdade a expressão formal e acabada do cartel que tanto se diz combater e, na verdade, não passa de uma deformação histórica dessa falta de nitidez entre o público e o privado, tão comum em nossas práticas, presentes em todos os níveis do federal ao estadual e municipal.
Agora, teremos uma série de formalizações de denúncias e provavelmente, na sequência, condenações como as da Camargo Corrêa e isso é relevante que ocorra num momento em a cúpula do Senado e da Câmara Federal, já listada como envolvidos pessoais no processo, procura criar embaraços no front político já ocupado parcialmente pela CPI, a terceira que tenta supostamente investigar a Petrobras e que, na verdade, opera como um fator de neutralização oficial.
A jogada de Eduardo Cunha tentando atribuir ao governo Dilma Rousseff o seu enquadramento é artificiosa porque nem a presidente atual e muito menos o seu antecessor têm liberdade de movimentos para isso, e correm riscos como tantos outros personagens da nossa República normalmente de opereta e que aparenta, ao menos nesse instante, tornar-se verdadeira.
Ofensiva
O secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, anunciou ontem mais um programa de recuperação de dívidas e prometendo, como a prefeitura com o protesto dos devedores, enquadrá-los no Cadastro de Inadimplentes, Cadim. Cria algumas facilidades para aquilo que o Refis não operou com a eficiência esperada e tenta recuperar a capacidade de arrecadação, fortemente agredida.
O governo tem mais de um meio orçamento em dívida ativa e com a secura do momento o intento de partir para a execução se torna temerário por retrair ainda mais a economia. Enquanto isso, a imagem da hierarquia fiscal está na lama, o que também deveria constituir-se em prioridade para combatê-la e não apenas indicar medidas futuras como foi feito com a mensagem de Beto Richa que acentua a precariedade do dispositivo punitivo atual já que os infratores de hoje se safarão de sentenças mais pesadas.
Trapalhão
Mais uma trapalhada, e visível no açodamento, do governo na questão do pedágio como estão demonstrando as reações dos integrantes do G7. Parece que só os políticos não perceberam que a sociedade paranaense não metabolizou o pedágio olhado como insuficiente para atender nossas demandas. Políticos e alguns técnicos vivem num outro mundo.
Folclore
Beto Richa falando sobre a nova lei dos desvios fiscais acentuou que isso tem que acabar, temos que separar o joio do trigo e quem errou que responda por seus atos. Aparenta ser uma revisão do aplicado no Ezequias protegido ainda, por ato governamental, com o foro privilegiado. Não deixa de ser um progresso.





