LUIZ GERALDO MAZZA
Vitórias de Pirro
Os mais recentes feitos positivos de Beto Richa lembram a batalha de Pirro: não compensam as perdas que teve e que o marcarão para sempre: o arquivamento dos três pedidos de "impeachment", que sabidamente não tinham a menor perspectiva de prosperar pelo peso matemático da base aliada num julgamento essencialmente político, e o envio da mensagem a pretexto de fixar sanções claras contra os delinquentes fiscais voltada para os rescaldos da Operação Publicano e visando somente o futuro.
Impeachment virou um modismo como se fosse algo comum e impositivo e não objeto de análise em profundidade. Já sob Fernando Henrique Cardoso o PT, especialmente, com o "Fora, FHC", tentou a aventura que é de fato, sem haver o processo devido, uma forma, dentre as muitas existentes, de golpe. Não há maturidade no processo nacional para o impedimento de Dilma Rousseff, apesar de sua impopularidade em função especificamente da crise e do ajuste fiscal, e isso porque até aqui não há matéria comprobatória que o fundamente. Da mesma forma - e aí com mais razão - nada há que possa justificá-lo contra Beto Richa.
Já o envio de mensagem ampliando a carga de sanções contra crimes fiscais, voltada como resposta às descobertas do Gaeco na 'Publicano', tem um sentido claro de mostrar que as aproximações do governador com alguns dos envolvidos não o impede de lançar o peso da lei sobre os infratores. Aí, de fato, amaina a questão desagradável de alguns próximos, inclusive o parente cada vez mais remoto, Luiz Abi Antoun, bem como o companheiro de aventuras automobilísticas, estarem incriminados. A providência elide qualquer acusação de tolerância e restabelece a integridade das instituições no respeitante à impunidade.
Fica, porém, a imanência da constatação em Pirro de que a vitória com tantos efeitos negativos como os mais de 200 feridos do Centro Cívico é pelos efeitos cumulativos quase uma derrota.
Agenda positiva
Dá a impressão, a acoplagem de um ato (o da mensagem sobre crimes fiscais) ao arquivamento, esse naturalíssimo, dos pedidos de impeachment de uma ofensiva na construção de uma agenda positiva em momento de crise e de escassos motivos para promoção por serem austeridade e frugalidade incompatíveis com oba oba e a compulsão para o triunfalismo. A mensagem fixando sanções é, portanto, muito mais significativa do que o esperado fracasso do impeachment.
Já me referi aqui a um fato que normalmente salva governantes em crise: a capacidade de recuperação de nossa economia. Como Beto Richa não pode ficar à espera dessa "virada" impensável no curtíssimo prazo, fazer do dia a dia mostra de atenção, vigor e evitar repetições. Por exemplo: atuação diante das calamidades nos desastres naturais como os havidos no litoral ainda no primeiro mandato e até hoje com suas cicatrizes mal curadas a despeito inclusive de recursos vindos da União. O episódio dos tornados, vendavais e enchentes de agora abrem para o governo uma perspectiva de mostrar-se ligado e capaz de dar respostas aos desafios: uma política de comunicação atenta ao cotidiano, mostrando um governo voltado às aflições populares e capaz de emitir sinais de esperança.
Fora o hedonismo
O que não pode acontecer e isso de forma absoluta é o retorno daquele clima do primeiro mandato que chamo de lua de mel num momento em que se exige muito sacrifício de todos os segmentos da sociedade. Aumento da tarifa da água, por mais justificável que pareça, atinge o poder público duplamente porque se dá, conforme a Sanepar, em função da alta da energia, essa a cargo da joia da coroa, a Copel. Não ignorar o fato, mas destacar ações nesse preciso momento tanto de uma como de outra estatal compensaria, retirando-as de um papel de espectador, contemplativo.
É claro que não há sentido em dar ao hedonismo o conceito que lhe aplicou o filósofo Epicuro como "a busca do prazer pela prática da virtude". Urge uma forma de ser e agir que esteja em acordo com a média moral do público e com o que se firma um ponto de identidade.





