LUIZ GERALDO MAZZA
Mediato e imediato
Essa mensagem do governador aumentando as punições de fiscais corruptos é menos importante do que se manifestasse empenho no enquadramento dos ladrões de agora e não os de amanhã. Não basta sugerir preocupação e melhores formas de disciplinar o tema, e sim de mostrar-se empenhado em punir agora a gangue que ocupou a hierarquia fiscal para vê-la julgada e, se comprovados os fatos, devidamente condenada.
A atitude revela que o dispositivo penal é insuficiente para restabelecer a ordem jurídica ofendida, quase uma confissão de certeza de que haverá algo pior do que a leniência nos dispositivos vigentes. A consciência de que a lei é insuficiente para a punição exemplar deveria levá-lo e as autoridades judiciais a colocar os infratores na certeza da condenação, para tanto se esmerando na denúncia bem feita. Todos se lembram da frustração coletiva no episódio do mensalão quando o STF, por maioria, acolheu embargos infringentes que implicaram, como regra, na redução das penas aos condenados.
As leis que temos para funcionários públicos e estranhos aos quadros que dela participaram, ainda que frágeis, são, na perspectiva jurídica, as que valem e não será a preocupação com o futuro, revelada na iniciativa governamental, que safará o governo de um julgamento fraco de tão nefando crime.
Aos governos cabe ter a noção precisa de que opera em dois tempos, o imediato, o de agora, indispensável para evitar a repetição e combater o delito no momento em que se dá, e o de sempre, o do vir a ser, o da melhor nas perspectivas do futuro.
E os próximos
De todo o jeito há sinais que complicam pessoalmente o governador Beto Richa, ainda que insuficientes para incriminá-lo: suas relações de amizade e de clara proximidade com vários dos indiciados, do parente remoto Luiz Abi, que andava pelas cercanias desde quando Beto era vice-prefeito da capital, hoje apontado pelo Gaeco como comandante político da operação e aquele outro também indicado como peça-chave do sistema e seu companheiro de lazer automobilístico. O governador carrega em seu currículo a tolerância afetiva com que tratou o seu chefe de gabinete, o Ezequias, aquele que montou um sistema de vasos comunicantes para tomar dinheiro da sogra fantasma e que o nomeou, de forma protetora para secretário, o que o coloca sob a guarda do foro privilegiado.
Como já não bastassem referências significativas como a do cinegrafista lotado na Casa Civil, o Caramori, demitido após o flagrante da falta, é indispensável saber com quem anda e também quem o cerca para não ser mal julgado e na base da presunção.
Inadimplente
Vai mal o prefeito Fruet: empresas de ônibus da capital denunciaram no Ministério Público do Trabalho que a Urbs não lhes repassou a grana de novo. Só falta não pagar os trabalhadores para termos nova greve.
Fechadas
Interditado trecho da BR-153 em Imbituva pelo transbordamento da bacia do Rio Bituvão e perto de Almirante Tamandaré na Grande Curitiba um deslizamento fechou, temporariamente, a Rodovia dos Minérios com o deslocamento de rocha na pista de rolamento.
Papo furado
O governador esteve na sede da Adepol: muitos abraços, sorrisos, mas os delegados não ouviram nada sobre o que pretendiam: a isonomia com os procuradores. E, cá entre nós, se prometesse seria uma leviandade. A progressão aos quadros da hierarquia intermediária, a partir do nível 6 ao 11, tem que ser pleiteada na justiça especial como tem ocorrido.
Folclore
Urbs não paga as empresas, estas deixam de pagar os trabalhadores, e aí teremos greve para romper a inércia. É criatividade passiva, demais.





