LUIZ GERALDO MAZZA
Missões difíceis
Estava programado para ontem à noite, na sede da Associação dos Delegados de Polícia, um encontro do governador com os xerifes e é claro a propósito da impossibilidade de a gestão atual fazer a isonomia de tratamento com os procuradores que era prometida para agosto. E não é apenas a hierarquia superior que está com problemas: investigadores, escrivães, papiloscopistas e agentes reclamam da não progressão dos subsídios amarrada desde maio.
O calvário mudou: antes tudo era euforia, triunfalismo, hoje secura, crise e aperto dos cintos. A grana acabou e com isso ajuda a aprofundar o desânimo de todos os quadros e gerar um fator psicológico de primeira grandeza para que o setor possa se motivar para o enfrentamento de suas responsabilidades.
Beto Richa estava habituado a tirar de letra essas missões com avanços salariais que na verdade não podia praticar e o fazia agredindo na forma e no fundo a Lei de Responsabilidade Fiscal. Essa prodigalidade, especialmente com os professores, está nos fundamentos do desequilíbrio atual. Além de tudo, seu Ibope anterior era elevado e hoje está em queda livre.
A austeridade hoje indispensável, até para que o governo sobreviva, é estilo incompatível para quem estava habituado ao distributivismo da generosidade. É claro que o governador tem suas guardas pretorianas, seus cardeais, para os quais dá o jeitinho de compensar a frugalidade com missões especiais e atuação em conselhos com a percepção de jetons. Sem a gastança, ao governo resta fazer a pregação da austeridade, apesar do desconforto no exercício desse papel.
Um reparo
Judiciário, Tribunal de Contas, Ministério Público e Defensoria Pública tiveram 8,17% de reajuste. Para reequilibrar as coisas lá em janeiro de 2016, quando a turma do Executivo terá a compensação plena, será preciso utilizar um redutor para os beneficiários de agora e não aprofundar a crise financeira. Se forem deferidos novos percentuais, teremos o agravamento do desequilíbrio.
Generosidade
Grevistas do Hospital de Clínicas e da Universidade Federal decidiram ontem doar sangue na Hemepar como forma de manifestação. E havia um cartaz dirigido a Dilma Rousseff, a presidente: ''Damos o sangue pela educação''. A pátria educadora agradece.
Flagelo
O flagelo das enchentes, vendavais e tornados está bem traduzido nos 31 mil atingidos pelos acidentes naturais em várias regiões.
Corrupção
O Gaeco marca sob pressão a Prefeitura de Almirante Tamandaré com a prisão de dois secretários que cobravam ''pedágio'' de empresas contratadas.
Ameaça
A quebra atingiu em cheio a prefeitura da capital e faltava dinheiro à Urbs para pagar o adiantamento do 13º salário, o que foi feito ontem para evitar a iminência de uma greve já no disparo.
Conselhos
Alguns conselhos de segurança, como o da Água Verde, estão montando brigadas para agir em apoio da guarda municipal. Alguns flagrantes têm sido obtidos com esse tipo de cooperação.
Urbanismo
Paranaguá tem um problema urbanístico sério: o entrelaçamento das malhas portuária com as da cidade, algo que inexiste por exemplo em Itajaí ao nosso lado. Há uma obra de porte incluída no Plano de Aceleração do Crescimento que reduz essa confusão na avenida principal e a prefeitura tem desenvolvido gestões para tirar da gaveta esse projeto.
Folclore
"Olho de Garopa" foi o apelido que Francisco Deliberador, de Ibiporã, recebeu quando chegou em Paranaguá para administrar o porto. Um agente da Receita Federal virou para sempre o ''Mão de Gengibre'' por causa de nódulos nas mãos.





