Sempre na retranca
Demandas funcionais, como a dos professores e agora dos policiais, mostraram o governo sempre como devedor e, por isso mesmo, com escassa margem para qualquer tipo de negociação como se deu com o pessoal temporário da educação e o pagamento das rescisões. Há sedimentos de dívidas com os policiais em sua hierarquia inferior e média por força da implantação do subsídio que definiria um novo regime para todas as categorias e que já rendeu um problema, atrasados que os interessados devem buscar na Justiça de pequenas causas.
Dívida maior é com a hierarquia superior, minada por disputas internas, a dos delegados que esperavam em agosto, em dispositivo do seu estatuto, a isonomia com os procuradores, reivindicação antiga e prometida em encontro político às vésperas do pleito.
Isso não explica isoladamente a ineficiência notória do combate ao crime: em dois meses tivemos mais de dez assaltos à mão armada no centro da cidade, entre eles o ataque à gerente da loja Tim, o cerco da residência do secretário Flávio Arns, a morte do guarda municipal, enfim ineficiência comprovada apesar do vulto dos investimentos na área.
É claro que falta comando do governador para motivar seus quadros, impressão que deixa é que nada tem a ver com as ocorrências como também não lhe diz respeito a vergonheira dos pagamentos de obras inconclusas na educação e o vexame alastrado da corrupção na área fiscal detectada pelo Gaeco e na qual um dos delatores devolveu duas fazendas no valor de R$ 20 milhões o que dá uma ideia da dimensão e profundidade do afano e do enriquecimento indevido. Também tem dificuldades em dialogar com os fiscais pela circunstância de que tem um débito de cerca de R$ 1 bilhão de haveres em disputa com a categoria e que auditores esboçaram negociar nos bastidores.
Como a regra é a compressão extrema, visível na impossibilidade de atender qualquer tipo de pleito, percebe-se que se esfarela o setor público nessa evidência de haver dívidas históricas como se dava com professores e guardas penitenciários, o que retira força moral ao governante ou a seus delegados funcionais. O Estatuto da Polícia, que deveria consagrar a simetria de delegados com procuradores, ambos afinal de carreira jurídica, zanza nas comissões legislativas sem qualquer perspectiva de aprovação o que mataria todo o esforço do secretário Mauro Ricardo Costa no ajuste fiscal.

O terror
Não bastasse tudo isso, ainda temos o regime do terror das escutas telefônicas e das pressões sobre jornalistas para delatar informantes e das punições como as fixadas para oficiais bombeiros. Nem no regime militar tivemos casos como os de agora de repórteres da RPC, Mauri Konig e James Alberti, que precisaram exilar-se dentro do país para escaparem de ameaças, o que dá uma noção do nível de anomia a que chegamos. Isso, aliás, é simétrico à estupidez selvagem do ataque aos professores que deu origem ao enquadramento de Beto Richa e seus auxiliares das polícias civil e militar por improbidade.

Mais um
Agora, o Gaeco flagrou o prefeito Antonio Rabel, de Ibema, em transações irregulares com serviços de saúde e remédios, inclusive vencidos.

Pesquisa
Quatro de cada cinco curitibanos rejeita o trabalho dos vereadores, segundo sondagem da Paraná Pesquisas. Surpreendentemente, isso se dá num momento de extremo ativismo da Câmara Municipal como no caso da CPI dos ônibus. Ocorre que hoje qualquer instituição levada ao juízo público leva nota baixa em função da crise e os camaristas não escapam apesar de abusarem de leis que não são de âmbito municipal como o caso da cerveja nos estádios que é de origem federal e está no Estatuto do Torcedor.

Folclore
O esforço para melar a Lava Jato cresce na divisão de grupos que lutam no interior da Polícia Federal: a ida do ministro da Justiça à CPI da Petrobras se ajusta nesse objetivo, como se já não bastassem as proclamações de juristas fazendo restrições técnicas e doutrinárias ao andamento da causa e à postura do juiz Sérgio Moro.

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