Política Atualizado em 11/07/2015, 23:00
Luiz Geraldo Mazza
O que teria lançado o maior cabo eleitoral do Paraná à desconfortável posição de estar com menos de 16% dos eleitores, conforme a mais recente sondagem? Claro que a beligerância excessiva do Centro Cívico tem tudo para explicar essa queda pela indignação e revolta provocadas em todo o conjunto social. Mas também, pergunta-se, há algum feito, em termos administrativos ou políticos, que o coloque bem, ainda mais quando a avalanche de suspeitas em torno de seus amigos e próximos se torna avassaladora?
Na verdade os reeleitos, e isso de um modo geral, passam por essa provação, mal concluído o primeiro ano de mandato e mais um semestre, esse de queda livre. Arrostam ambos o ônus do ajuste fiscal, uma contradição em termos com o que pregavam seja nas propostas ou na visão do cenário. Claro que no âmbito nacional isso se torna mais claro e obviamente as dificuldades de Dilma, nesse particular, são maiores do que as do governador paranaense.
Nos estafes governamentais de hoje como no tempo dos alquimistas que tudo explicavam há exegeses, interpretações, e também os chamados gabinetes de crise como esse que foi montado no Palácio Iguaçu. Às vezes é mais fácil explicar os ataques nucleares a Hiroshima e Nagasaki do que justificar o massacre de 29 de abril no Centro Cívico. Ali é possível imaginar a que tipos extremos se chegaria para um caso de sedição revolucionária que encontraria naquela concentração o máximo possível como pretensão defensiva e guerreira. O pior é que à proporção que o tempo passa surgem novos informes como o do oficial PM que se manifestou abertamente contra as dimensões da repressão que se pretendia. É claro que tudo isso passa pelos filtros do IPM (que como no ocorrido em 1988 com Alvaro Dias) que buscará metabolizar conflitos e deixar uma explicação historicamente satisfatória para a corporação e em segundo lugar para o governo.
O varejo como sinal de ativismo em favor do governador começou na partilha das ambulâncias, forma de cultivar a claque prefeitural, diante da qual fez o desastrado discurso em que tenta atribuir à perfídia da divulgação dos salários manipulados dos professores a causa da atrofia da greve. Provocação ociosa e pura perda de energia por ser visível a inclinação, nem sempre correta, da maioria da população em ver o professorado como vítima e isso desde o século passado.
Agrado a prefeitos, em medidas assistencialistas ainda que insuficientes ante as perdas tributárias sofridas, é expediente que funciona ainda mais na crise atual. E como há eleições municipalistas logo é bom ir capitalizando para não se surpreender com derrotas como as havidas no último pleito em que levou uma tunda inclusive nos colégios mais fortes como os de Curitiba e Londrina.
Já o atacado, isso é medida programática de longo prazo e envolvendo muitos bilhões é a da renovação com o governo federal das rodovias pedagiadas. Sabe o governo que a maioria esmagadora da população tem posição contra o pedágio por ter rompido uma tradição mais confortável, a de que a tarefa era somente do poder público, hoje por uma série de razões inviabilizada.
Essa estória da prorrogação dos contratos das rodovias pedagiadas, jogada bilionária, está a exigir a audiência da sociedade quando se fundaria, por hipótese, em adiantar obras e baixar tarifas, colidentes na tradição brasileira. É indispensável ouvir a sociedade e não entregar essa tarefa a um grupo de burocratas cuja missão não é discutir o sistema, mas consolidá-lo.
Para um país que consagrou no texto constitucional a democracia direta, fugindo ao monopólio da representativa, essa do Cunha e Calheiros um exemplo, seria indispensável ver como a sociedade vê o desempenho das pedagiadas para garantir-lhes por mais tempo os respectivos contratos muitos deles timbrados como anômalos e sem a limpidez da licitação como se dá no trecho Araucária-Lapa na Rodovia do Xisto. Assunto sério demais para ficar aos cuidados governistas e a população apenas contemplando e, como sempre, pagando.





