LUIZ GERALDO MAZZA
Pedágio sem povo
Os governos estadual e federal estudam a renovação dos contratos de pedágio nos quais houve delegação ao Paraná de rodovias nacionais. Nas licitações feitas, já sob a orientação de Lula, tivemos metodologia bem diferenciada que assegurou um regime tarifário mais tolerável do que o imposto aqui e que produziu os preços mais elevados do País. Mas nada disso foi suficiente para que as tarifas baixassem prometidas pelo ex-governador Requião em mais um exercício de bravata compulsiva tão irresponsável e oco quanto à guerra contra produtos transgênicos, ambos nos expondo ao ridículo.
Quando Lerner implantou o pedágio não houve uma consulta à população sob o fundamento da inexistência de outra alternativa para o anel de integração, já que perdera o governo capacidade de investir. O sistema está aí até hoje, passou pelo crivo de duas CPIs inócuas, o que comprova aliás o alheamento dos parlamentares em torno de assunto tão grave. E isso agora se repete nessa história da prorrogação contratual o que se percebe como atraente para vários agentes inclusive empreiteiras que vivem um mau momento com a chefia das mais importantes do país na prisão da Lava Jato.
Assim na base do silêncio, sem participação da população, querem consolidar o domínio das beneficiárias sem uma avaliação mínima da qualidade dos serviços e sem uma explicação quanto à brutal diferença tarifária. Os que vão se beneficiar - governo e contratantes sugerindo que salvam o país - decidem tudo e quem paga a conta é a população espoliada.
Ausente
Anteontem, o assalto à casa do secretário de Assuntos Estratégicos, Flávio Arns, que não deixa de ser uma ironia por revelar o fracasso do tal Paraná Seguro, uma das apostas programáticas da administração, e ontem o assassinato de um guarda municipal no centro da capital por assaltantes. Temos governo, há a presença de alguém motivando as corporações para a defesa da sociedade ou estamos condenados mesmo ao absurdo por essa insensibilidade?
Inverno
A exploração do inverno como fomento ao turismo encontra no Paraná seu ponto alto no Festival de Antonina. Os municípios litorâneos entram em promoções na sua rede de restaurantes: Morretes, Paranaguá, Matinhos, Guaratuba. Na Capital é boa a movimentação de visitantes nos ônibus de turismo.
Há quem aposte ainda em nevascas, pois a última grande, para valer, foi em 1975, quarenta anos passados. Marcou também o epílogo da cafeicultura com o flagelo da geada negra, um dia depois.
Olvepar
Falou-se muito que, no depoimento à Procuradoria Geral da República, o doleiro Youssef teria se pronunciado sobre desvios fiscais para a campanha de Beto Richa, mas o que se espera dele é a respeito da tal operação Copel-Olvepar que envolve figurões ainda atuando no cenário e alguns que tiraram o time de campo. Uma jogada até hoje impune, pois pagou o que não devia por ter admitido um crédito inexistente de firma falida. Tudo em que o Alberto Youssef atua é assim: enredo de filme policial clássico.
Redundância
Impedir cerveja nos estádios é redundância para o porre que é nosso futebol. Vereador, no entanto, se meter no assunto de natureza nacional, federal, é como aquele que surpreso com a alta do custo de vida atribuída à lei da oferta e da procura propôs a sua revogação. Como poderia fazê-lo com a da gravitação universal.
Folclore
A velocidade do tempo, quando animada pela crise, leva a constatações sempre surpreendentes: Beto Richa está com um semestre e duas semanas de segundo mandato e a impressão dominante é que o está concluindo.





