LUIZ GERALDO MAZZA
O tapete mágico
Se há alguém que jamais dependeu do tapetão nas disputas eleitorais é o nosso governador. Esmagou seus concorrentes, duas vezes, na prefeitura da capital e mais duas no governo estadual. Mas agora, diante das crises que enfrenta, passa a depender do tapete. Tanto que contratou particularmente os serviços do jurista Renê Dotti a pretexto de conter as seguidas referências ao seu nome e num certo momento até o da esposa no andamento da operação Publicano e colocou a Procuradoria Geral do Estado em atalaia para defender-se da denúncia de prática de improbidade nos lances bélicos de 29 de abril no Centro Cívico.
Aos poucos vão se avolumando os problemas, não apenas os das alusões seguidas a seu parente distante, Luiz Abi Antoun, apontado pelo Gaeco na condição de coordenador dos chunchos fazendários, mas também do inesperado como a decisão do Tribunal de Justiça que barra parte de cobrança do ICMS (a maior taxa do Brasil, de 29%) sobre distribuição e transmissão de eletricidade e da remota possibilidade de ver anulada, pelo Ministério da Previdência, a astuta manobra que lhe deu acesso a recursos, até então indisponíveis, do fundo de pensão estadual.
O retraimento atual, face à catadupa de denúncias, agora enriquecida com a história do pagamento por obras inconclusas na área da educação (o Tribunal de Contas enquadrou 14 agentes no evento) é mais do que explicável: perdeu o élan juvenil e energético que o caracterizava e se tornou quase abúlico ao ponto de nada fazer para que seus colegas de outros poderes cooperassem no esforço do ajuste fiscal e não pagassem a seus servidores os 8,14% da inflação do período no reajuste salarial. Perdeu a pegada, está ficando com o estilo do seu ex-adverso Gustavo Fruet, posto que esse tenha dado vigorosa mostra de reação às impertinências do Instituto Curitiba de Informática, um monopólio particular dentro da gestão municipal, e acuando o Atlético Paranaense na Justiça para que cumpra responsabilidades contratuais na construção da Arena da Baixada. O tapete de agora lembra o tapete mágico e voador das lendas orientais.
Mais 8%
Como se não bastasse a eletrocução da energia elétrica, o governo estadual já obteve o aval do Instituto de Águas para que a Sanepar tenha mais um aumento, agora de 8% nas tarifas de água. Insaciável.
Acumula
O secretário da Agricultura, Norberto Ortigara, deve assumir um posto no Conselho Administrativo da Paranaprevidência. Há um movimento entre os pensionistas para que representantes dos funcionários exerçam a máxima vigilância nos meandros da instituição ante o temor de quebra, acentuado com mudança recente que permitiu avanço em seu capital para reduzir o fosso fiscal em que o governo se meteu.
Melar
Advogados dos auditores envolvidos na Publicano tentam anular gravações que consideram irregulares, e tomadas como provas de denúncias. Não faz tempo uma câmara criminal do Tribunal de Justiça, por unanimidade, declarou ilegal a interceptação telefônica que permitiu o flagrante de alto funcionário do Tribunal de Contas pegando R$ 200 mil do ganhador da concorrência do Anexo. Mais tarde houve entendimento contrário e o processo teve continuidade e com possibilidade de comprometer a cúpula da Corte. Aposta-se aí como na Lava Jato em incidentes e nulidades que ponham em risco o andamento processual.
Folclore
Com essa onda de "vitorianos" contra a cerveja nos estádios (hoje assunto chave na Câmara de Vereadores de Curitiba), se desconhece que as turbas das torcidas organizadas enchem a cara e vão visivelmente drogadas ao campo de futebol, o que explica o transbordamento da violência. Parece faltar aquela pertinente observação dos botequins: entrar bêbado não pode, já sair é mais que tolerável, normal. Até agora essa "guerra", a de proibir a cerveja, favoreceu o marketing de uma delas, recém-lançada, chamada "proibida", divulgada pelo ator global, o curitibano Alexandre Nero.





