LUIZ GERALDO MAZZA
O pior para compensar
Depois de inúmeras pesquisas, inclusive a mais recente, regional, que mostra 62% de rejeição ao prefeito Gustavo Fruet, da capital, dá para estabelecer um paralelo: a compensação do burgomestre curitibano está nos mais de 84% de hostilidade revelada ao governador Beto Richa e esse se satisfaz ao perceber que a presidente Dilma Rousseff aparece com mais de 90%. O pior situado se transforma em parâmetro como se dá nos três casos, em que se capta que a rejeição a personagens da escala maior, no caso, o Estado e a União, funciona como um tranquilizante, um bálsamo. É a expressão vitoriosa do quanto pior melhor transfigurada em axioma.
Essa posição extrema, tanto de Beto como de Dilma, não impede que os seus respectivos estafes se apropriem, como costumam fazer, de referenciais macroeconômicos como se fossem obra sua. Infelizmente, a fase (ou seria uma era ou um ciclo?) é tão negativa que raramente produz um indicador favorável.
Pois, surpreendentemente, acaba de sair um diagnóstico do IBGE, decorrente de dados da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (Pnad), que o Paraná tanto em 2012 como em 2013, em momento ainda distante da recessão atual, é o Estado com o segundo melhor indicador de superação da desigualdade social. Atribuiu-se no caso paranaense o feito em grande parte ao modelo agrícola de pequenas e médias propriedades articulados a um padrão de cooperativismo excepcional. Santa Catarina nesses dois anos referidos já era o primeiríssimo no ranking, enquanto o Paraná saiu da quarta para a segunda posição.
Estivesse em fase boa e veríamos os anúncios oficiais capturando feitos do conjunto da sociedade - empresários e trabalhadores dos diversos segmentos da economia - como obra do governo numa invasão igual aquela em que se atracou no capital da Paranaprevidência para mais uma pedalada.
Tempo demais
A Justiça deu ganho de causa ao pleito dos professores para que o governo retire do ar as referências que fez ao salário da categoria. Em lugar de três dias ou três semanas, o governo tem três meses, noventa dias, conforme tal decisão, para continuar expondo o magistério a uma forma de execração por levar a maioria esmagadora de baixos salários da população, especialmente dos municípios em que os fatos são revelados, entender que os professores são marajás. Por sinal que tais indicadores seriam, conforme a APP-Sindicato, manipulados. Em São Paulo o governador Alckmin foi desmascarado ao afirmar que em sua gestão (2011-2014) os mestres teriam recebido 45% de reajuste quando não passou de 12,3% ao qual incorporou gratificações e a inflação.
Delação
José Dirceu perdeu o habeas corpus preventivo no Tribunal Federal e agora o juiz Sérgio Moro lhe negou acesso à delação premiada de Pascovich. Está cada vez mais difícil voltar à persona do guerrilheiro em Cuba e do dirigente nos congressos da Une pelo predomínio do homem de negócios internacionalizado.
Não se emenda
Apanhada pelo Ibama e o Ministério Público jogando esgotos crus na bacia do Iguaçu, e, por isso processada, agora pegaram, outra vez, a Sanepar fazendo igual ritual em Toledo. Mas a pose nos institucionais é outra para justificar reajuste de tarifas três vezes no ano.
Menos ruim
Pelo menos, no Legislativo estadual, prevaleceu a regra do aumento de 3,74% aos seus funcionários igual à do pessoal do Executivo. Já o Judiciário e também Ministério Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública emplacaram mais de 8%. Ausência de simetria se deve à omissão do governador que deveria empenhar-se ao máximo para o ajuste fiscal, se é que o leva a sério.
Folclore
Futebol é uma das raras áreas de democracia direta: o Coxa vai mal depois de dois anos à beira do abismo, qual a saída do torcedor se não a de deixar de pagar as suas mensalidades e de comparecer aos jogos? A direção tem que ser atingida na parte sensível do corpo, o bolso, e depois que se vire.





